Por: Elaine
WD,
Tenho 23 anos de SEDF e 4 anos de escola particular,já vi e fiz de tudo dentro de uma escola, nenhum destes projetos logrou êxito,o único projeto que pode corrigir a defasagem idade/série é o investimento no profissional que for trabalhar com essa turma,não interessa se é cartilha,materiais gráficos nada disso.Sou Pedagoga com especialização em Alfabetização pela UNB e passarei alguns pontos de vista que acho que podem fazer diferença no processo de correção de defasagem:
1- investir na educação infantil, acabar com essa idéia que o aluno da rede pública deve brincar e brincar e a alfabetização/letramento ficar por conta das turmas de 6 anos (1º ano), vamos deixar de hipocrisia, o professor da turma de segundo período é orientado a brincar ensinando uma letrinha aqui e outra acolá, enquanto seus filhos e sobrinhos estão na escola particular brincando e também sendo alfabetizados, enquanto isso o da rede pública está sempre com o processo de alfabetização em “atraso”. Sei que brincar é importante, a criança tem que ser respeitada no seu ritmo próprio e tudo mais, mas no frigir dos ovos…
2- o profissional que escolhe uma turma de alfabetização não basta ter cursos “comprados” (sabemos que eles existem e nos são oferecidos na própria escola, leva-se a apostila para casa responde e entrega, logo depois recebe o certificado, o qual será reconhecido e aceito pela SEDF) que o fazem ter bastante pontos e garantir uma turma com GAA, ele tem que saber bem o que ele vai fazer.
3- a GAA tem que ser estendida até o quinto ano (quarta série), pois o processo de alfabetização não se acaba no terceiro ano (segunda série).
Na prática não precisa de projeto nenhum, ninguém consegue “aprender” fazendo duas ou três séries em um ano, a gente aprova o aluno porque não dá mais para ficar com ele no meio dos alunos pequenos, ou para ver se ele fica estimulado em uma nova série.
Vamos lá: o professor destinado a está turma recebe treinamento nas coordenações para aprimorar suas aulas e enriquecê-las e o aluno em horário contrário pode contar com reforço ou por monitores capacitados ou pelo próprio professor com as horas estabelecidas na portaria durante seu horário de coordenação.
Também não adianta está separação de alunos uma vez por semana para ter aula com outra professora e outros colegas do seu nível (vira uma bagunça,tem professor que gosta ,tem aquele que não quer deixar “seus” alunos com outra professora e por ai vai.
Enfim, nada de projetos específicos para alunos, mas aulas práticas para os professores trocarem experiências, os cursos com muita teoria fazem com que o professor os abandone, pois teoria eles já tem.
As Coordenadoras intermediárias da Regional de ensino também devem tirar suas “nádegas” da cadeira e promover discussões nas escolas e não ficar nas Regionais fazendo estatísticas. Seria um investimento barato com um alto retorno profissional para a SEDF.
Sei que tem um monte de gente que vai criticar tudo que eu falei, mas lá no fundo algo vai ficar intrigando. Esse é o meu objetivo.
* O texto acima representa a opinião da leitora, Elaine.