Regina Vinhaes e Erasto Fortes insistem em rebaixar o índice do FC

08/04/2011

Faz alguns dias que eu venho alertando neste blog que a cúpula da Secretaria de Educação está defendendo uma tese de rebaixamento do índice do Fundo Constitucional. A própria Secretária de Educação, Regina Vinhaes, vem afirmando que o índice de reajuste do FC é de 11,15% e não de 13,83%, como apresentado pelo Sinpro. É claro que este índice reivindicado pelo Sinpro foi divulgado pelo Governo Federal, não tirado da cabeça de nenhum diretor ou assessor da entidade.

Pois hoje, na plenária para discutir o suposto projeto de gestão democrática realizada na DRE do Paranoá, o Secretário Adjunto de Educação, Erasto Fortes, voltou a afirmar que o índice é de 11,15%. Também afirmou que o objetivo do Governo é construir até o fim do mandato a isonomia salarial dos professores com o das outras categorias de nível superior do GDF.

A verdade, porém, é que tanto Regina Vinhaes, quanto Erasto Fortes e todo o comando da Secretaria de Educação estão querendo mesmo é rebaixar aquilo que é uma conquista da categoria nos últimos 8 anos. Isso mesmo! Até mesmo Roriz e Arruda tentaram fazer esta manobra mas não conseguiram. Nos últimos 8 anos nosso reajuste foi pelo índice global de reajuste do Fundo Constitucional. Será se agora a atual gestão da SEDF vai fazer pior do que os Governos anteriores?

Regina Vinhaes e Erasto Fortes vem tentando convencer a categoria de que o reajuste da categoria deve ser feito com base no índice de reajuste da parte do Fundo Constitucional que é repassado para a Educação. Por isso eles dizem que é , no máximo, 11,15%  e não os 13,83%. Acontece que nos últimos 8 anos a categoria exigiu, no mínimo, o índice do Fundo Constitucional como o parâmetro para definir o reajuste. Já os recursos para pagar este reajuste é problema do Governo, não importando para a categoria se eles vêm do FC ou da arrecadação de impostos do próprio GDF.

É claro que no Governo Arruda nós tivemos parcelamento do reajuste e em 2010 foi descontado o crescimento vegetativo da folha. Mas será agora que o novo Governo vai fazer melhor ou vai piorar aquilo que já era ruim no Governo anterior? A cúpula da SEDF está afirmando que o objetivo deles é construir a “isonomia com as outras categorias de nível superior”, mas como vamos acreditar se está querendo rebaixar agora aquilo que conquistamos com muita luta nos últimos 8 anos?

Washington Dourado

 


Especialista americano em segurança nas escolas: Cuidado com análises precipitadas!

08/04/2011

FONTE: Vi o mundo

 

por Heloisa Villela, de Washington

Os Estados Unidos têm uma longa lista de massacres e incidentes com armas de fogo em escolas. Columbine, no Colorado, ou a Politécnica, da Virgínia, são alguns dos exemplos mais conhecidos e dramáticos com grande número de mortos. A necessidade de evitar que novas mortes aconteçam no lugar que as crianças têm que frequentar todos os dias, e onde devem estar seguras, provocou uma parceria entre o Serviço Secreto e a Secretaria de Educação. Um estudo aprofundado e feito longe do calor do momento.

William Modzeleski, Sub-Secretário de Educação para a Segurança das Escolas, participou do grupo que elaborou  o estudo entitulado “Implicações para a prevenção de ataques em escolas dos Estados Unidos”. Ele é taxativo: não existe um perfil padrão dos atiradores e diz que é fundamental ouvir os jovens e crianças. Ele também afirmou que as primeiras avaliações e os relatos da imprensa, no momento da tragédia, sempre contém muitos erros.

O estudo, do qual ele é coautor, se concentrou em incidentes registrados em escolas do Jardim da Infância, de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Entrevistei William Modzeleski no dia em que aconteceu o massacre na escola de Realengo, no Rio. Um pequeno trecho da entrevista foi ao ar no Jornal da Record, no mesmo dia. Aqui, a entrevista completa para o Viomundo:

Heloisa Villela:Quando e por que foi feito esse estudo?

William Modzeleski: O estudo foi feito depois de 1999, depois do que aconteceu em Columbine, no Colorado, como um desdobramento. O Serviço Secreto tinha terminado um estudo sobre tentativas de assassinato das pessoas que eles tem que proteger – o Presidente e o Vice-Presidente. Então, o diretor do Serviço Secreto procurou o  Secretário de Educação na época, Richar Riley, e disse que podia nos emprestar o pessoal dele para nos ajudar a fazer um estudo sobre as pessoas que estavam indo às escolas matar crianças. Naquele momento, em 99, tínhamos passado por vários incidentes. Columbine não foi o primeiro nem o último. O Departamento de Educação aprovou a idéia. Então, analisamos 37 casos, 41 indivíduos que entraram em escolas entre 1974 e  1999 e fizeram o que chamamos de ataques que tinham as escolas como alvo. São incidentes em que o indivíduo seleciona a escola alvo. De antemão, quer fazer algo, entrar na escola, atirar ou detonar bombas. Não olhamos apenas os arquivos dos casos mas também entrevistamos 10 das pessoas que participaram desses ataques.E o que aconteceu no seu país, agora, é comum aqui: a pessoa que ataca acaba cometendo suicídio logo depois ou durante o incidente.

Heloisa Villela: Quais foram as conclusões do estudo?

William Modzeleski: Uma das nossas conclusões foi que esses ataques não são impulsivos. Não acontecem num momento de explosão. Começam com um pensamento, depois o atirador desenvolve um plano, o meio de levar ele a cabo: comprar uma arma, ou o que quer que seja que precise. Em geral, existe um prazo de planejamento que pode ser de algumas semanas, alguns meses e, como no caso de Columbine, pode levar mais de um ano. O que nós percebemos é que existe um período de tempo em que podemos interferir e agir.

 

CLIQUE AQUI E LEIA A ENTREVISTA COMPLETA

 


Progressão automática nos primeiros anos do ensino fundamental : uma solução ou um retrocesso?

08/04/2011

Fonte: Site da UNB

Stella Maris Bortoni

A educação do Brasil já vai mal com a reprovação, imagina se tirarem a reprovação

Foi com essa perplexidade que a sociedade brasileira recebeu a notícia de que o Conselho Nacional de Educação (CNE) decidiu recomendar fortemente que todas as escolas públicas e privadas não reprovem mais alunos matriculados nos três primeiros anos do ensino fundamental. A Resolução do CNE terá de ser homologada pelo ministro da Educação e entrará em vigor em 2011.

Diante da notícia veiculada na imprensa, alguns leitores ainda fizeram blague, dizendo que o MEC estava agindo como o marido traído da anedota que para evitar o adultério da esposa, resolve tirar o sofá da sala.

Amenidades à parte, pretendo tratar o assunto aqui com toda a seriedade que ele merece, pois estamos diante de uma decisão no CNE que vai ao âmago de um dos principais problemas da educação no Brasil: a repetência, que resulta em grande desperdício de recursos e, o que é pior, alimenta as estatísticas alarmantes de evasão.

De acordo com o censo escolar de 2008, 74 mil crianças de seis anos foram reprovadas na série de alfabetização. Nas cinco séries iniciais, registra-se 15% ao ano de repetência, sendo que os principais gargalos são ao final da primeira e da quinta séries.

A cultura da reprovação é muito antiga no Brasil. E sua eficácia começa a ser questionada, não só em nosso país, mas também em nações mais industrializadas, como a França, onde a reprovação atinge principalmente os estudantes oriundos de grupos imigrantes minoritários.

No Brasil, a reprovação pura e simples no século passado foi substituída pela segunda época. Aos mais jovens, esclareço que a segunda época era a oportunidade dada ao aluno que não atingia, nas avaliações, o mínimo exigido de aprendizagem, de prestar novo exame posteriormente. O aluno tinha o ônus de se preparar para tentar obter nota melhor. Em boa hora, essa prática foi substituída pela recuperação, que leva a escola a prover mais umas semanas de aula aos alunos, antes de submetê-los a novas provas.

O que se discute agora é a aprovação automática nas três primeiras séries, regime que já vigora em vários sistemas estaduais. O aluno – que agora deve iniciar o ensino fundamental ao seis anos – , ingressa no ciclo de alfabetização, com duração de três anos. Ao longo desse ciclo, a progressão é automática, mas sem prejuízo das avaliações, que devem ser realizadas sistematicamente. Ao final, ele é integrado à quarta série.

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