Até o momento o que se tem ouvido na Educação do DF é o “samba de uma nota só”: gestão democrática, gestão democrática, gestão democrática… Outros projetos, se é que existem, ainda não foram apresentados aos professores, especialistas e servidores da Educação, muito menos ao conjunto da Sociedade.
A atual direção da Secretaria de Educação tem insistido em afirmar que o processo de gestão democrática é o fundamento principal e será o carro chefe das mudanças que serão feitas no Ensino Público do DF. O problema, porém, é que Brasília está saindo de uma crise, que a Secretaria de Educação foi uma das áreas que mais sofreram com os crimes cometidos pelo Governo anterior e que todos esperavam medidas urgentes para reverter esta situação. O que ninguém imaginava era o quadro de inoperância que estamos vivendo.
Desde que a atual gestão da SEDF assumiu nenhuma linha do que será o futuro projeto pedagógico foi anunciado, as medidas administrativas tomadas (quando são) se mostraram quase nulas para resolver o caos administrativo, a discussão do projeto de gestão democrática foi realizado sem que o atual Governo apresentasse um único texto mostrando como imagina ser este processo. Aliás, pelo contrário, se não fosse o projeto construído pelo Sinpro ao longo de muitos anos, a discussão teria sido pautada por quem defende os modelos dos governos anteriores e que ainda compõem a maioria das direções de escola. Também é preciso registrar que a atual gestão da SEDF foi incapaz de tirar um critério que possibilitasse a participação majoritária de quem está em sala de aula, realizando plenárias regionais claramente com maior presença de quem não tem interesse em mudar o modelo de gestão das escolas e do Ensino Público.
Do jeito que está, sem que o atual comando da SEDF apresente o que deverá ser o projeto de educação do novo Governo; sem que medidas que representem mudanças concretas na gestão pedagógica e administrativa da Secretaria sejam apresentadas; teremos um processo de aprofundamento da desilusão entre a militância que apoiou e defendeu o Novo Caminho e o resultado será visto na eleição para diretores de escolas, quando assistiremos a vitória dos opositores do novo projeto.
Gestão democrática do Sistema de Ensino é fundamental, mas como já foi experimentado e até mesmo a direita se utiliza da expressão, não representa mais uma novidade para uma Sociedade ávida pela retomada da qualidade do ensino na Rede Pública do DF. Para animar os defensores deste novo projeto e mobilizar a Comunidade Escolar é preciso muito mais que uma discussão sobre democratização da gestão. É necessário que a Secretaria tome a iniciativa, que apresente soluções, que aponte caminho do que será feito no pedagógico, que reformule e mantenha funcionando os projetos realizados nas escolas. Enfim, que saia da letargia.
A derrota do Novo Caminho na Educação está sendo processada, mas dá tempo ser revertida. Para isso, porém, é necessário que saia das intermináveis reuniões de Gabinete e que vá para as escolas, para as DREs ver de perto os problemas, apresentar soluções, enfrentar as divergências, fazer o debate e mostrar que, de fato, as belas teses de mestrado e doutorado logo se transformarão em realidade.
Do contrário, o “velho caminho” vai vencer…
Washington Dourado
ATUALIZAÇÃO: às 22h21
Achei a resposta que deram ao meu texto muito interessante, apresar de discordar de alguns pontos. Só repudio o fato de no mesmo espaço ter um ataque à greve dos servidores da Carreira de Assistência, o que demonstra que o discurso ainda está longe da prática.