Carta de Paulo Freire ao professores

NENHUM TEMA mais adequado para constituir-se em objeto desta primeira carta a quem ousa ensinar do que a significação crítica desse ato, assim como a significação igualmente crítica de aprender. É que não existe ensinar sem aprender e com isto eu quero dizer mais do que diria se dissesse que o ato de ensinar exige a existência de quem ensina e de quem aprende. Quero dizer que ensinar e aprender se vão dando de tal maneira que quem ensina aprende, de um lado, porque reconhece um conhecimento antes aprendido e, de outro, porque, observado a maneira como a curiosidade do aluno aprendiz trabalha para apreender o ensinando-se, sem o que não o aprende, o ensinante se ajuda a descobrir incertezas, acertos, equívocos.

O aprendizado do ensinante ao ensinar não se dá necessariamente através da retificação que o aprendiz lhe faça de erros cometidos. O aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica à medida em que o ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente disponível a repensar o pensado, rever-se em suas posições; em que procura envolver-se com a curiosidade dos alunos e dos diferentes caminhos e veredas, que ela os faz percorrer. Alguns desses caminhos e algumas dessas veredas, que a curiosidade às vezes quase virgem dos alunos percorre, estão grávidas de sugestões, de perguntas que não foram percebidas antes pelo ensinante. Mas agora, ao ensinar, não como um burocrata da mente, mas reconstruindo os caminhos de sua curiosidade  razão por que seu corpo consciente, sensível, emocionado, se abre às adivinhações dos alunos, à sua ingenuidade e à sua criatividade  o ensinante que assim atua tem, no seu ensinar, um momento rico de seu aprender. O ensinante aprende primeiro a ensinar mas aprende a ensinar ao ensinar algo que é reaprendido por estar sendo ensinado.

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Uma resposta para Carta de Paulo Freire ao professores

  1. Álisson Rafael disse:

    Prezados Educadores de vanguarda,

    Recentemente soube da adaptação para o cinema da obra Capitães da Areia, do saudoso Jorge Amado, camarada que já foi deputado pelo partido comunista e que escreveu obras emblemáticas que se destacaram na literatura mundial. Então fiz uma releitura do livro Capitães da Areia e fui assistir ao filme. Não sou crítico de cinema e nem tenho essa pretensão, mas me sensibilizei com o filme exibido, sua caracterização, ambientação, os atores que souberam encarnar os personagens, logicamente não foi possível abranger a dimensão da obra do velho comunista, mas demonstrou que a obra continua atual e que o cinema brasileiro é próspero.
    Com olhar de militante da educação, vislumbrei inúmeras possibilidades de trabalhar com o filme em sala, embora o filme tal qual o livro, apresente cenas um tanto quanto pesadas, tendo que se analisar o contexto da turma para poder exibir.
    O comandante Pedro Bala se torna sindicalista, honrando a memória de seu pai comunista assassinado pela repressão. Ainda mostra a manifestação do candomblé, da capoeira, a cultura nagô. O histórico capoerista Querido de Deus jogando com Pedro bala e Gato.
    Gosto deste trecho do livro:
    “Anos depois os jornais de classe, pequenos jornais, dos quais vários não tinham existência legal e se imprimiam em tipografias clandestinas, jornais que circulavam nas fábricas, passados de mão em mão, e que eram lidos à luz de fifós, publicavam sempre notícias sobre um militante proletário, o camarada Pedro Bala, que estava perseguido pela polícia de cinco estados como organizador de greves, como dirigente de partidos ilegais, como inimigo da ordem estabelecida.
    No ano em que todas as bocas foram impedidas de falar, no ano que foi todo ele uma noite de terror, esses jornais (únicas bocas que ainda falavam) clamavam liberdade de Pedro Bala, líder de sua classe, que se encontrava preso numa colônia.
    E, no dia em que ele fugiu, em inúmeros lares, na hora pobre do jantar, rostos se iluminaram ao saber da notícia. E apesar de que lá fora era o terror, qualquer daqueles lares era um lar que se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família.”
    A nossa democracia é recente, e a ditadura e opressão as camadas mais pobres preencheram o maior tempo da nossa história brasileira. A luta pela liberdade não se interrompe, pois ela é maior do que a violência, a tortura e a ignorância. Depois de tantos mandos e desmandos seculares temos uma constituição cidadã e vários movimentos populares relevantes (nossa história é de luta). Eu acredito no poder que emana do povo, acredito que a escola pública é o instrumento de fomento de ações libertadoras e que os professores são protagonistas nesta concepção.
    Lembro e valorizo a memória de grandes professores como Paulo Freire, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e cada professor que trabalha na transformação da realidade do povo. Feliz dia dos professores!!!!
    Álisson Lopes

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