[fala visitante] Professor apresenta proposta de recuperação

Por: GamAbismado*

Inovar na educação sempre é salutar. O modelo de recuperação adotado por alguns colegas nada mais é do que a aplicação de receitas que não dão certo. Aplicar provas de recuperação em momentos estanques não tem funcionado.

Esse ano lancei o RALP = Recuperação Ampla e ao Longo do Processo. Na 1a avaliação(P1) do bimestre é feito o diagnóstico dos conteúdos não vencidos e estes são retrabalhados ao longo do bimestre e cobrados juntamente com os novos conteúdos na 2a avaliação(P2). Ao se fechar a nota do bimestre posterior é feita uma comparação com a nota do bimestre anterior. Caso o aluno consiga melhorar a sua média, a diferença é acrescida à sua média atual, limitado a 10,0 pontos. Exemplos: 1) MB1=3,0 MB2=5,0 MB2 – MB1 = 2,0 MB2corrigida = 7,0 2) MB1 = 5,0 MB2 = 8,0 MB2 – MB1 = 3,0 MB2corrigida = 11,0 = 10,0 . A grande diferença entre a RALP motiva todos os alunos a melhorarem as suas médias, tendo em vista que não é voltada somente aos alunos com média inferior a 5,0.

*Professor da SEDF

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19 respostas para [fala visitante] Professor apresenta proposta de recuperação

  1. Dayse disse:

    “GamAbismado”, vc é de que escola? Gostaria de trocar umas ideias sobre esta sua proposta.

  2. cristiano disse:

    Gostei muito da idéia! Vou repassar para os colegas da escola onde trabalho.

  3. Mirian Theyla disse:

    Muito interessante, mas, enquanto vigorar o esquema de pontos, penso que pouca coisa mudará: muitos alunos só participam efetivamente até obterem os famigerados 20 pontos. Se o esquema fosse modificado, por exemplo, com a exigência da média mínima (5 pontos) em todos os bimestres, independentemente do total de pontos já acumulados, penso que essa proposta seria bem efetiva.

    Parabéns pela sugestão, Gamasbimado (você é do Gama também?).

    • ProfGamAbismado disse:

      Pois é, o Gama ainda pensa…. Assim como num hospital, não vejo a culpa nos doentes. Educação de uma forma geral, é caso de saúde pública. As mazelas que atingem o nosso alunado passam muito mais por empreendedorismo do que por pessimismo. Em qualquer sistema de avaliação, com ou sem nota, sempre teremos que desafiar o aluno a querer aprender, a não buscar só uma nota. Esse ano estou com 10 turmas de 1o ano do ensino médio e lancei agora no 4o bimestre um desafio aos meus alunos: zero falta = 10,0. O que vejo são salas lotadas e a moçada querendo aprender sem a preocupação com a nota. Semana que vem entramos em PA e PG. Bem doce prá terminar o ano açucarado.

  4. Charles disse:

    Minha proposta é que voltem as notas com peso. 1º bimestre um peso e o peso maior no 4º bimestre. Ajudaria os alunos que ainda não tenham passado que poderiam obter uma nota maior no último bimestre e os alunos que já passaram no sistema atual, pois ainda teriam que estudar no último bimestre.
    Lá na escola está assim. Os alunos que já passaram com rarissimas exceções não fazem mais nada e perdem o conteúdo do bimestre e os que não passaram procuram estudar se ainda tem chances.

    • ProfGamAbismado disse:

      Depois de 35 anos de sala de aula (25 no GDF) digo a você que já passei por quase todos os sistemas de notas. Não faz a menor diferença se não tivermos professor e alunos, motivados. O RALP busca resgatar aquele que pensa que não sabe e também o que pensa que sabe. O que não podemos fazer é diante de uma epidemia querer tratar somente aqueles que apresentem os sintomas. A vacina tem que ser geral, tipo a da paralisia infantil. Os fortes vão contaminando os médios e estes, os fracos. Com ou sem peso, sem motivação, de ambas as partes, não tem solução.

  5. Charles disse:

    A recuperação processual deveria ser dada apenas para aqueles alunos que tem dificuldades de aprendizagem e não para aqueles que não fazem nenhum esforço. É perda de tempo e material.

    • Luciane Gomes disse:

      Concordo Charles meus alunos poderiam conquistar 5 pontos todo o bimestre de atividades feitas em sala, mas a maioria prefere não fazer, ainda vou ficar arrumando um jeito de facilitar a vida de quem brincou o ano todo. Aluno com dificuldade de aprendizagem merece atendimento especial o que não é o caso de 90% dos meu alunos que estão de recuperação eles sofrem mesmo é de falta de compromisso. Muitos ainda dizem pra mim; professora vou fazer não prefiro ficar de dependência!

  6. Professora Revoltada disse:

    Somos poucos os que vêm que esta recuperação implantada pelo governo só serve para empurrar os alunos sem a base necessária para a próxima série. Primeiro, o aluno ganha cinco pontos no bimestre só de nota qualitativa. Segundo, a média cinco é muito baixa e fácil de ser alcançada. Terceiro, o aluno tem direito a recuperação durante o bimestre e no final do ano. Quarto, o aluno pode não passar em três matérias e ainda ir para a série seguinte. É uma piada! Como um aluno fica em três matérias e passa de ano? O sistema engole o nosso trabalho, pois muitos alunos chegam à 8ª série escrevendo voçe (você), muinto (muito), afirmando que 1/1 é 0, etc. Não sou a favor de uma reprovação em massa, mas acho que todos os meus colegas sofrem muito no 4º bimestre com a famosa frase “não vou fazer, já tô passado”. Ou então, “já tô reprovado, só tô vindo por causa do bolsa escola”.

    • ProfGamAbismado disse:

      Dar base aos alunos não é papel de governo, é papel de professor. Os processos de recuperação pouco importam se não tivermos estratégias que consigam motivar os nossos alunos a quererem estudar. A TV passa uma falsa idéia de que tudo é fácil. Precisamos usar estratégias que motivem os alunos a quererem aprendizagem e não nota. Uma estratégia que eu uso e que tem dado certo ao longos desses anos é colocar música escolhida pelos alunos enquanto eles resolvem os exercícios. Cada turma faz o seu cd. De acordo com a proposta educacional de Bruner, é possível ensinar qualquer assunto, de uma maneira honesta, a qualquer indivíduo, em qualquer estágio de desenvolvimento, desde que se leve em consideração suas diversas etapas de desenvolvimento intelectual. Pois, para Bruner, o que é relevante em uma matéria de ensino é sua estrutura e o modo de representá-la para o aluno. Uso também a Teoria da Aprendizagem pela Descoberta de Bruner: “Partindo desse pressuposto, o ambiente de aprendizagem por descoberta deve proporcionar alternativas / resultados para percepção do aprendiz, com relações e similaridades entre ideias que não foram previamente reconhecidas. Dessa forma, o aluno tem oportunidade de ver o mesmo tópico mais de uma vez, em diferentes níveis de profundidade e em diferentes modos de representação.”

  7. ProfGamAbismado disse:

    Projeto Recuperação Ampla ao Longo do Processo (RALP)

    1. Responsável pelo Projeto: João Rosa Borges – Matrícula 62.865-4 – Professor Classe A
    2. Dados Gerais: DRE: Gama – CED08 – Séries: 1os anos do Ensino Médio
    Disciplina: Matemática Turno: Matutino

    3. Justificativa: 2011 chegou mostrando-me as consequências de estar tão próximo da aposentadoria. Como comportar-me ao adentrar essa fase de professor quase aposentado? Trazia dentro de mim a experiência acumulada em outros projetos e o desafio de enfrentar pela primeira vez na rede, turmas de 1º ano do ensino médio. Considerava, ter rompido com sucesso, o tradicionalismo da avaliação, usando em anos anteriores, a teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner (lingüística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, intrapessoal e interpessoal) associada ao Contrato Social de Rousseau, à Aprendizagem pela Descoberta de Bruner, à Motivação de Cury. Restava-me, no entanto, estabelecer uma estratégia que motivasse tanto os alunos com notas abaixo da média, como também, aqueles que já haviam ultrapassado essa marca. Parti da premissa de que tanto os que precisavam de nota como aqueles que estavam em situação mais confortável precisavam de motivação. Lancei a ideia da RALP e percebi que de uma certa forma, todos os alunos queriam “melhorar” as suas notas.

    4. Objetivo Geral – Desenvolver estratégias que mesclassem conteúdos não vencidos pelos alunos com os novos conteúdos, de forma que uns alicerçavam a compreensão dos outros.
    Avaliar de forma que conteúdos anteriores e atuais estivessem presentes nas avaliações atuais.

    5. Período da Realização: Ano letivo de 2011

    6. Competências e Habilidades: O RALP mescla a aplicação de novos conteúdos com a revisão dos conteúdos anteriores e não vencidos pelos alunos. Essa dinâmica reconduz o aluno com defasagem ao grupo daqueles mais adiantados e estes, revisando a matéria, aprendem novas formas de lidar com esses conteúdos.

    7. Procedimentos – Na aplicação da 1ª avaliação do bimestre (P1) é feito o diagnóstico dos conteúdos não vencidos e estes são retrabalhados com todos os alunos, paralelamente a introdução dos novos conteúdos. Na aplicação da 2ª avaliação do bimestre(P1), são cobrados todos os conteúdos do bimestre(os novos e os revisados).
    No fechamento da nota do bimestre é feita uma comparação com a nota do bimestre anterior. Todos os alunos que obtiveram nota superior à anterior, têm a sua média recalculada da seguinte forma:
    Exemplos:
    1) MB1 = 3,0 MB2 = 5,0 MB2 – MB1 = 2,0 MB2C = 7,0 ( média do bimestre corrigida)
    2) MB1 = 6,0 MB2 = 9,0 MB2 – MB1 = 3,0 MB2C = 12,0 = 10,0 (limite para correção)
    Observação: Caso não haja uma evolução na média do aluno, a sua média é mantida.

    8. Recursos – O projeto utiliza os recursos disponíveis na escola, bem como a sua infraestrutura. As listas de exercícios com os conteúdos não vencidos são elaboradas e trabalhadas ao longo do bimestre.

    9. Conclusão – A escola como um todo, tem usado outras estratégias como forma de recuperação. Alguns professores tem se interessado e adotado, total ou parcialmente a ideia. Apesar de não adotar como regra a RALP a escola não criou obstáculos na sua execução. Nesse ponto concordei com os colegas. Era preciso “testar” a nova metodologia de recuperação. Temos hoje alunos mais interessados, conscientes, responsáveis e dedicados. O projeto mostrou que, mesmo diante de todas as deficiências e dificuldades, é possível praticar um modelo de recuperação que não engessa a sequencia de novos conteúdos, como também, não para a escola, para em momentos estanques aplicar “pseudas provas de recuperação.” Os resultados são animadores. Não e fala mais em recuperar alunos com notas baixas e sim, propor estratégias de nivelamento de conteúdos. No RALP, não interessa a nota, mas sim, a forma como os conteúdos são retrabalhados e que possibilite a todos, sem exceção, aprender ou reaprender novas formas de compreender o que parecia impossível.

  8. Célia disse:

    Também gosto muito de trabalhar com música…
    Masss…..E o gosto “apuradíssimo” destes alunos???rsss
    O que vocês ouvem nas aulas????Que tipo de CD eles trazem???

    • ProfGamAbismado disse:

      O engraçado é que a coisa não é tão “negra” assim… Na maioria das vezes as vozes que ecoam das músicas são de protesto. Outro dado interessante nas seleções é que uma grande parte dos é formada por evangélicos, aparecem muitas músicas gospels… Os cds normalmente tem muito sertanejo, forró, pouco axé (tá 1/2 fora de moda), rap, funk (uma minoria), música internacional, etc. Como tenho 10 turmas, faço o cd de 2 turmas juntas, o que dá em média 50 música por cd e como as músicas só são tocadas na hora dos exercícios, são 3 aulas por semana, um cd leva média, um bimestre para chegar ao final. A cada aula anotamos em que música paramos e o cd é organizado por ordem alfabética de banda/cantor. Todo final de bimestre eu passo uma listagem da turma e eles colocam o nome da banda/música a ser gravada. Levo uns dois dias para baixar as músicas(net de 15 mb). O bom nessa história é que eu passei a conhecer uma imensidão de bandas/cantores e músicas que nunca imaginava ouvir, ou seja, mais aprendi do que ensinei. Outro detalhe importante é sobre o gosto musical dos alunos. Já trabalhei com todas as séries e por incrível que pareça, asluno de 5a série gosta de Kelly Key, de 8a série já escutam Legião e do 1o ano começam a gostar de música internacional prá valer.

  9. Célia disse:

    Parabéns pelo seu trabalho! Dá gosto ver um professor assim…em sintonia com seus alunos!!! Abç

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