Prezados(as),
Lembram que na semana passada eu solicitei neste blog informações sobre a situação da Educação de Jovens e Adultos nas escolas públicas dos DF? Pois é, as informações enviadas contribuíram para o Correio Braziliense publicar uma matéria na edição deste domingo que retrata muito bem a situação deste importante segmento da educação pública deste quadrilátero. A situação é crítica, por anos os Governos agiram para desmontar a EJA e o atual Governo ainda não demonstrou que vai fazer realmente diferente.
Mais uma vez agradeço aos colaboradores deste blog. Isso demonstra mais uma vez que este espaço se transformou numa boa referência para o debate sobre erros e acertos na Educação Pública do DF.
Por: Washington Dourado
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Veja a matéria do Correio:
Programa de educação voltado para jovens e adultos está falido no DF
Concebido para incluir pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar, sistema destinado a jovens e adultos está falido no Distrito Federal. De cada 100 matriculados, apenas 14 concluem o semestre. Desde 2005, total de alunos encolheu mais de 70%

O rosto cansado e envelhecido contrasta com as paredes cobertas por desenhos infantis. Os olhos concentrados, fixos no quadro-negro, tentam decifrar as letras, enquanto a mão firme copia as palavras com uma caligrafia errante. Voltar à sala de aula depois de décadas longe do ambiente escolar ou começar a desvendar os segredos das letras e números são desafios gigantescos para adultos e idosos do Distrito Federal. Trabalhadores pobres, que nunca tiveram a oportunidade de aprender o mais básico dos ensinamentos, agora buscam espaço nas salas de aula para conquistar um diploma e melhorar de vida. Mas os obstáculos são incontáveis.
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O sistema de ensino para jovens e adultos da capital federal tem regras que excluem os trabalhadores e tornam ainda mais difícil a retomada dos estudos. No ano passado, o número de alunos dessa modalidade encolheu 1,3%, em comparação com os dados de 2010. Dos 103 mil matriculados, quase 35 mil desistiram do aprendizado e abandonaram a sala de aula. Significa dizer que um em cada três alunos largou os estudos. Na educação de jovens e adultos, os índices de evasão e repetência impressionam: apenas 14 alunos concluem o semestre letivo a cada 100 matriculados.
COMENTÁRIO DO VISITANTE:
POR: Mário Bispo
Caro WD,
Às vezes, ao ler o seu blog, sinto-me pessimista em razão de comentários marcados pelo preconceito, desinformação, ausência de fundamentação pedagógica, sobretudo, quando do debate de temáticas envolvendo questões de gênero, etnia-raça, direitos humanos, inclusão. Contudo, fico feliz, esperançoso, ao constatar que diante dos problemas educacionais, muitos colegas apresentam de forma clara, avaliações e propostas.
Por exemplo, o colega José Augusto faz uma observação interessante sobre as dificuldades de convívio entre jovens e adultos. Esse fato para mim relaciona-se com o fato constatado pela professora Silvia Maria (CESAS) entrevistada pela reportagem: “hoje recebemos cada vez mais alunos novos e indisciplinados, que não levaram os estudos a sério e reprovaram várias vezes”. Na realidade, são colocados dentro de um mesmo ciclo de formação, indivíduos que pouco tem em comum. Em um arco etário que vai de 15 aos 70 anos, como nos mostra a reportagem, diferenças de experiências, concepções e expectativas podem ser irreconciliáveis.
Talvez, seja a hora de pensarmos em ciclos e formas diferenciadas de enturmação para atender jovens, adultos e idosos.
Outras constatações dos colegas:
- a existência de cursos particulares, nos quais, o estudante conclui o ensino médio em três meses. Solução simples: fiscalização da SEEDF, do Ministério Público, CPI.
- A matricula via telematrícula não é a mais adequada para o referido público. Sugestão: atrair os alunos para a escola, com divulgação dos locais de ensino. “É necessário dar ampla publicidade a oferta de vagas”.
Outra entrevistada a professora Madalena Torres ressalta outra proposta que inclusive faz parte da LDB: a integração entre EJA e EP (Educação Profissional).
Nesse caso, já temos um experiência muito interessante no DF que é o PROEJA (ofertado pela ETC – Escola Técnica da Ceilândia), no qual, é possível cursar concomitantemente o ensino médio (EJA) e um curso técnico (EP) por meio da educação a distância (EAD).
Contudo, recentemente, o WD chamou a atenção para falta de atenção da SEEDF no tocante à EP. Talvez por isso, hoje o PROEJA esteja na berlinda, tenha sua continuidade colocada em questão e sofra com a falta de professores efetivos.
Por fim, cabe informar que talvez, em razão do artigo do WD* e de uma reportagem da DFTV, a EP começou a receber a atenção da SEEDF, pois, na semana passada, a ETC foi visitada pelo Secretário de Educação. O que nos trouxe esperança quanto à consolidação do PROEJA.
*http://blogdowashingtondourado.wordpress.com/2012/06/12/secretaria-de-educacao-o-ensino-profissionalizante-precisa-de-atencao/#comments