[artigo] Violência cotidiana e escolar

10/03/2014

FONTE: Jus Navegandi

A análise da violência deve ser feita a partir de uma reflexão sobre o processo de atribuição de identidades e afirmações de diferenças, o que, por sua vez, está relacionado ao processo de exclusão/inclusão simbólica dos jovens.

Na sociedade atual, o indivíduo tornou-se o centro. E toda a relação que se estabelece com o mundo trava-se a partir do seu eu. Há uma primazia do individual frente ao coletivo, um descrédito em relação aos movimentos sociais e uma despreocupação pelo espaço público.

Os indivíduos voltam-se ao seu eu. O mundo exterior, como diz Lasch, só interesse como fonte de gratificação ou frustração.

O indivíduo é fruto da história, de modo que essa centralidade do indivíduo está presente nas diferentes esferas de sua vida cotidiana, privada, profissional etc. A ideologia que domina os homens é da gratificação dos impulsos e da busca do prazer.

A ideia que está presente é que qualquer um pode ser o que quiser e ter sucesso sem esforço. A vida, então, resume-se na busca da boa saúde e do bem-estar por meio de exercícios, dietas, drogas e autoajuda. E, no cotidiano, o importante é o presente, o imediato, e estão os objetivos limitados e definidos.

Leia mais: http://jus.com.br/artigos/26842/violencia-cotidiana-e-escolar#ixzz2vWdXDZXM


O que esperar da educação no DF em 2014?

07/01/2014

Por: Remi Castioni - Faculdade de Educação da UnB

O tema da educação desfilou pelas páginas do Correio no balanço final do ano de 2013 no Distrito Federal. O governador Agnelo Queiroz e o secretário de Educação do DF apresentaram balanço do que está sendo feito e do que será feito no último ano de mandato. E claro, os partidos em particular  PT e PDT cobraram generosidade um do outro na aurora do ano de 2014. Mas, de fato, o que podemos esperar na área de educação?

Fernando de Azevedo, o fundador da Universidade de São Paulo (USP) e artífice juntamente com Anísio Teixeira, do Manifesto dos Pioneiros, de 1932, que invocou uma nova educação para o país, costumava dizer que “o problema educacional brasileiro é substantivamente econômico e adjetivamente educacional”. Desse mal, o Distrito Federal não sofre. É a unidade da Federação que tem o maior orçamento per capita, a maior disponibilidade de recursos por estudante da educação básica, paga o melhor salário entre os mais de 2 milhões de professores do Brasil, tem proporcionalmente a menor jornada em sala de aula dos professores e a maior dos alunos, e tem o menor território do Brasil, quatro vezes menor que Sergipe. Isso quer dizer que, se pudéssemos elevar em alguns metros o novo Planetário, suas lentes enxergariam com precisão o que se passa em cada uma das suas 650 escolas.

Diria que falhamos aqui é no adjetivo. Numa rede tão pequena num raio de distância que se percorre a pé, de bicicleta ou a cavalo, por que a educação do DF está aquém das suas potencialidades? Anísio Teixeira, quando convocado por Juscelino Kubitschek apresentou o seu plano de educação para a nova capital e sentenciou: “O Plano de Construções Escolares para Brasília obedeceu ao propósito de abrir oportunidade para a Capital Federal oferecer à Nação um conjunto de escolas que pudessem constituir exemplo e demonstração para o sistema educacional do país”.

Deveríamos ter aqui, na visão apregoada por Anísio, um verdadeiro laboratório da educação. Mas falhamos. E parece-nos que não acordamos ainda para o fato. As melhores formulações em termos de políticas educacionais estão vindas de estados com limitadas capacidades financeiras, mas que se tornaram promotores de boas iniciativas, como o Ceará em particular, Sobral, de onde saiu o Plano de Alfabetização na Idade Certa, adotado em todo o Brasil e pelo qual todas as escolas do município já atingiram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) esperado para 2020.

Quando olhamos os indicadores educacionais de Brasília à luz dos seus recursos, a diferença é abissal. Durante muito tempo, não se deu atenção para a avaliação. Há uma crítica generalizada de que a avaliação em larga escala não avalia. É fato. Mas Brasília já poderia ter desenvolvido um sistema de avaliação da educação básica que pondere o desempenho dos alunos com as condições infraestruturais nos moldes do que hoje se adota no ensino superior e na proposta que está sendo apresentada na Conferência Nacional de Educação de 2014, no seu eixo 4, no mês que vem, em Brasilia. Nem mesmo o desempenho surpreendente que tivemos em matemática no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) nos moveu a entender porque nos diferenciamos dos demais e como podemos fazer para melhorar nas outras disciplinas.

Em qualquer projeto, os fins são sempre os primeiros a serem pensados. Somente depois é que pensamos os meios. Em educação, no DF, é o contrário. Primeiro pensamos nas obras, para depois pensarmos no que vamos fazer. Está sendo dessa forma com a expansão da educação infantil e assim será com o projeto das cidades educadoras anunciado pelo secretário de Educação. Ora, Brasília já nasceu educadora, pensada pelo maior educador que este país já teve: Anísio Teixeira. E, convenhamos, não deveríamos nos contentar em ter Brazlândia apenas com este título.

Deveríamos ousar e nos concentrar em Ceilândia, onde está a maior rede, onde vivem 1/5 da população e a taxa de crescimento anual de acesso à educação mais cresce é quase o dobro da verificada no Distrito Federal. Não é a toa que as principais faculdades privadas abriram unidades lá nos últimos anos. Diria que, enquanto não tivermos um Plano Distrital de Educação, ficaremos à mercê de iniciativas pontuais.

Na cobrança que se fizeram mutuamente os líderes partidários, do PT e PDT, por meio dos jornais, neste início de 2014, adjetivamente estava presente o tema da educação. Foi ela quem os aproximou e os distanciou. A generosidade cobrada por ambos poderia ser transferida para o efetivo legado que deixarão para a cidade nos próximos anos.

*Texto publicado originalmente no Correio Braziliense

** Conteúdo do texto de inteira responsabilidade do seu autor


Reflexão: Espionagem e educação no Brasil

09/10/2013

Os EUA e parceiros ricos espionam o Brasil com fins claramente econômico. O Brasil reage e avisa que vai se defender. Mas neste país tem política de incentivo à indústria de alta tecnologia capaz de contrapor ao poderio tecnológico do primeiro mundo?

A indústria de alta tecnologia depende de educação de alta qualidade. Mas a classe política brasileira, de todas as matizes ideológicas, investiu nisso com seriedade nas últimas décadas?

Todos os países que hoje são avançados tecnologicamente iniciaram a sua revolução a partir de um projeto consistente em educação. Neste contexto, é necessário entender que a educação pública de qualidade deve ser vista como um investimento estratégico para o desenvolvimento do país. Ou Brasil faz esta opção, ou viverá eternamente como um país agrário!

Você concorda?

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Washington Dourado


REGRA GERAL SOBRE APOSENTADORIA DOS PROFESSORES DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL.

22/09/2013

Por: João Batista Caixeta*

Numa linguagem bastante descomplicada e sem o rigor jurídico procurarei explicar a Previdência  para os professores da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Quero lembrar que este estudo somente se aplica a regra geral para os Professores da Rede Pública do GDF. Em outros artigos explicarei pormenorizadamente outras formas de aposentadoria, fator previdenciário, aposentadorias regidas pela CLT, regra de transição, tempo de contribuição trabalhado em outras funções, etc. Existem muitas particularidades que podem influir para mais ou para menos na aposentadoria, e somente após estudo de caso a caso que realmente pode-se afirmar que o direito é liquido e certo.

Em 1º de Janeiro de 2012 entrou em vigor a Lei Complementar 840, de 23 de dezembro de 2011 que regula o Regime Jurídico dos Servidores Públicos do Distrito Federal, Autarquias e Fundações Públicas e Órgãos relativamente autônomos – Tribunal de Contas (TCDF), Câmara Legislativa (CLDF) e Procuradoria-Geral (PGDF), vindo a substituir a Lei 8112/1990.

Não se assustem, pois as mudanças nas aposentadorias dos professores continuaram com as mesmas regras anteriores.

Embora seja chamada de “aposentadoria especial” por muitos docentes,  o termo não se enquadra corretamente, pois a aposentadoria especial é uma espécie de aposentadoria por tempo de contribuição em razão do exercício de atividades consideradas prejudiciais à saúde e a integridade física, prestando para reparar financeiramente o trabalhador sujeito a condições de trabalho inadequados.

O que existe, é uma modalidade de aposentadoria diferenciada, criado em decorrência de um desgaste maior sofrido pela função .

O professor ou professora que comprovarem o tempo exclusivamente em funções de magistério na educação infantil, fundamental e ensino médio, haverá uma redução de cinco anos na idade de contribuição, conforme quadro abaixo:

Sexo Idade Tempo/Contribuição
Homem 55 30
Mulher 50 25

A aposentadoria dos professores universitários foi extinta à partir da vigência da EC 20/98, passando os mesmos para a regra comum.

É muito comum hoje o professor procurar  o Recursos Humanos  para fazer a contagem do seu tempo de serviço e ter a surpresa de não ver computado o tempo que passou na Regional de Ensino, Sede ou outros órgãos.  O professor que exerceu ou exerce qualquer função fora da escola não terá esse tempo contato para efeito da aposentadoria especial, mas somente para aposentadoria na regra geral.

Vou postar aqui a lei para que não restem dúvidas.

Lei 11.301 de 10 de maio de 2006, que alterava o art. 67 da Lei no9.394, de 20 de dezembro de 1996, incluindo, para os efeitos do disposto no § 5o do art. 40 e no § 8o do art. 201 da Constituição Federal, definição de funções de magistério, dando a seguinte redação:

Art. 1o  O art. 67 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido do seguinte § 2o, renumerando-se o atual parágrafo único para § 1o:

“Art. 67. ……………………………………………………………………

§ 2o  Para os efeitos do disposto no § 5o do art. 40 e no § 8o do art. 201 da Constituição Federal, são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico”.

Lembre-se, o professor ou professora que for pedir sua aposentadoria tem que ter certeza da sua integralidade e de sua  paridade, pois existem vários casos de professores que podem cair na regra de transição, podendo aposentar, mas seus vencimentos serão calculados pela média dos salários.

Como podem observar, o assunto é complexo e tem variáveis para centenas de realidades dos professores. Cada professor tem uma realidade diferente do outro.

A maioria dos professores da SEDF estão  na regra geral do quadro acima terão uma  situação confortável com aposentadoria integral e com paridade.

Qualquer dúvida podem entrar em contato comigo via email,  no nosso site. Na medida do possível poderemos esclarecer as dúvidas que forem surgindo.

 .

* João Batista Caixeta é professor da SEDF e advogado

** Texto escrito exclusivamente para o blog. O conteúdo deste artigo é de inteira responsabilidade do seu autor. 

*** Contato: www.caixetaediasadvocacia.com.br email: caixetaedias.advocacia@gmail.com


Contribuição para a Conferência Distrital de Educação: O Estado Laico

01/09/2013

Por: Cristino Cesário

O texto contributivo em evidência procura situar-se em um contexto muito real-concreto: o de um debate profícuo acerca de temas contemporâneos à luz da Conferência Nacional de Educação – CONAE 2010 que precisa ser avaliada sobre o seu contexto pós-conferência: proposições, práticas e expectativas e levar a cabo o aprofundamento da segunda edição prevista para acontecer de 17 a 21 de fevereiro de 2014 para a Conferência Distrital de Educação a realiza-se em 26 e 27 de setembro de 2013. Observa-se que a CONAE 2014 está sendo pensada a partir de discussões e apresentação de propostas e estratégias em todos os entes federados.

O Distrito Federal faz a sua preparação por meio de Conferência Livre, já datada para o dia 29 de setembro de 2013, na Escola de  Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Distrito Federal (EAPE) quando serão retirados delgados (as) para a Conferência Distrital de Educação. Esse contributo não pretende esgotar o debate, pelo contrário, provoca-se para outras possíveis contribuições.

Objetiva-se com os argumentos aqui evidenciados provocar/sensibilizar para uma percepção crítico-analítica e propositiva sobre a laicidade de maneira a contribuir com o debate, o estudo e o fomento da pesquisa que leve em conta o papel social do Estado enquanto instituição social. Um entendimento é fundamental nesse percurso reflexivo: as experiências de Fé, religiosa e de Deus se dão substancialmente no campo da relação intrapessoal e em um segundo momento se estende a uma prática comunitária. Parto de quatro pressupostos que explicam e legitimam a necessidade da efetividade do  Estado Laico:

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Resposta de médico a texto publicado no blog

27/08/2013

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O médico Guilherme encaminhou a este blog o comentário a seguir em contraposição ao texto publicado aqui por blogueiro. Leia e vamos ao bom debate:

“Olá WD

Sou médico e obviamente não concordo com sua opinião

1- Somos o país no mundo com maior numero de faculdades de medicina. Mais que EUA e China. Será mesmo que nosso problema é o número de médicos?

2- Garanto para vcs que médicos para atender em ambulatórios não faltam. Faltam médicos para atender nas emergências e em lugares sem mínimas condições de trabalho.

Convido qualquer um de vcs a trabalhar na emergência de um hospital publico deste país. Já trabalhei muito como cirurgião em hospitais da periferia de SP e nos grandes hospitais de Fortaleza. Cansei de pedir por colchoes, cobertores, macas, lampadas, fios e etc, cansei de ser xingado pela falta de competência do governo (seja lá qual for a sigla) sem ter culpa nenhuma. Cansei de ver bons médicos pedirem demissão após anos e anos de solicitações feitas a Estados e prefeituras não serem atendidas.
Ninguém aguenta, não há preço que pague a tranquilidade de estar em casa e não precisar ver este sofrimento todo sem vc poder fazer nada…. Por isso vão ver plantões pagando mil e tantos e ninguém quer…..

Não somos uma classe mercenária, somos sim uma classe que se nega a trabalhar em qualquer condição de trabalho. Assim como TODAS as classes deveriam se negar a trabalhar em situações que não concordam.

3- O errado não está em um médico ganhar mais 20 mil (como li em um comentário acima), lida-se com o que as pessoas tem de mais importante, a saúde/vida, o errado esta no que os professores, enfermeiros, fisioterapeutas, engenheiros, advogados e etc estão ganhando. Lutem para remuneração merecida das suas classes e não tentem puxar uma classe para baixo.

Trabalho com cirurgias oncológicas  Cirurgias complexas, cerca de 4 – 5 h de duração, nesta cirurgia em muitas vezes está a única chance desta pessoa se livra desta doença, se for mal feita não há retorno. O quanto vale isso? Pra quem quiser consultar tabela SUS, vejam os valores pagos para serviços profissionais. Serviços profissionais ( 30% do valor para o anestesista, 30% pro cirurgião auxiliar, 20% para o segundo auxiliar e o resto pro cirurgia). Para terem um ideia, uma cirurgia de hérnia inguinal paga 148 reais para serviços médicos. Calculem……. Isso aí, médicos mercenários. Para tratamento de um infarto, 50 reais bruto, isso ai, médicos mercenários…… O chaveiro me cobra mais para vir na minha casa a noite…. E se o seu pai estiver infartando… quanto vale o coração dele?

Quando é para você, sempre queres o melhor, para o resto, qualquer coisa serve….. Já que não tem tu, vai tu mesmo….

E continua o jeitinho brasileiro e o processo “tapa buracos”….

Por: Guilherme – médico”


[artigo] A propósito da metodologia de ciclos na educação pública do Distrito Federal

26/08/2013

3d human with a red question mark

Por: Saulo*

Somos um povo que tem uma História, mas, muitas vezes, não temos consciência dessa História. No passado, tivemos muitos encaminhamentos de projetos, implantados por vários tecnocratas, tanto da educação quanto de outras áreas do conhecimento e do serviço público, em geral.

Muitos modelos foram importados, e, aqui, implantados sem muita ou nenhuma consciência crítica, para se saber se de fato aquela ação seria eficiente em solo brasileiro.

Uma coisa, em qualquer área, é importar modelos sem nenhuma posição crítica ou avaliativa dos aspectos que envolvem um projeto.
Outra, é o nosso “modismo” de criticar por criticar, sem ao menos procurar conhecer a fundo quais as razões apresentadas para a implantação de algum projeto ou inovação.

Sempre fui contrário à implantação de projetos pelo simples modismo, inclusive tal ocorreu com o modelo de “Habilidades e Competências”, que, embora tendo alguns aspectos interessantes, fora implantado a partir de um modelo empresarial criado, ou pelo menos desenvolvido, pelo Sr. Philippe Perrenoud, para a medicina e aplicado nas demais áreas, como uma possível solução para tudo.

No entanto, devemos admitir que nosso atual estado de educação clama por uma mudança, não é de hoje. Sabemos do histórico do DF, que, em muitos momentos, devido a outros interesses, não houve avanço, o que, também, demandava vários estudos e sistematização.

Mas, para que Serviços Público? Para que Secretarias de Estado? e, ainda mais,  para que Secretaria de Estado de Educação?

Creio que a resposta é:  para gerenciar a máquina pública e para propor novas políticas e políticas que possam gerar resultados, esperados dentro de um certo período de tempo, em especial, para a Educação.

Para isso, é necessário se fazer estudos, passar tempos debruçado sobre livros, analisar dados, analisar situações de escolas e cidades que já implantaram um novo método, que utilizaram uma alternativa viável, eficaz e producente, para resolver os mesmos problemas por que passamos atualmente.

Toda política que se pretende implantar, com base em uma realidade e sua necessidade, demanda uma série de estudos, análises de situações, do censo e de seus dados, e de avanços, com tais e tais metodologias.

Esse estudo foi feito por pessoas competentes e preparadas, das quais conheço várias, pois são especialistas e autoridades em educação, que já vêm estudando o assunto há décadas, no Distrito Federal, e agora, ocupam funções de responsabilidade para esse fim, na Secretaria de Educação do DF.

Costumamos valorizar o que outros fizeram, o que outros estados fizeram, o que outras sociedades fizeram. Mas não conseguimos acreditar em nós mesmos para entender e visualizarmos a importância da adoção da metodologia por “ciclos”

O termo “ciclos” significa, num certo sentido, que cada época de vida tem, naturalmente, uma possibilidade de aprendizagem, diferenciada da anterior e da que virá em nossas vidas. “Ciclos” é algo diferente do conceito simples de “idades”. Entender isso é entender e visualizar a capacidade de conhecer e de aprender do ser humano.

A Secretaria de Educação, a meu ver, como uma instituição pública, tem que propor, sim, políticas públicas de mudança, de incentivo e de renovação – não é, e não deve ser simplesmente inovação, mas algo que tenha uma base, uma fundamentação teórica e esteja vinculada a uma prática.

Creio que os verbos “implantar” e “mudar” causam-nos horror, pois sempre implica ação de nossa parte e também um novo aprendizado. Mas é necessário estarmos sempre voltados para nossa realidade, e termos um olhar crítico, sim, mas não algo que nos faça acomodar e reagir a mudanças.

Portanto, o que a Secretaria está propondo não é necessariamente trazer uma nova roupagem ou fazer uma “politicagem”, ou imposição de grupos, mas é uma resposta por que a Sociedade clama e nos cobra para os problemas de educação, a todos nós, que entendemos, e que queremos ser profissionais sérios, e que queremos realizar nosso  trabalho com honra.

Para contribuir, proponho a leitura do texto ESCOLA EM CICLOS OU CICLOS NA ESCOLA? – de Benigna Maria de Freitas Villas Boas –mbboas@terra.com.br, publicado em http://gepa-avaliacaoeducacional.com.br/escola-em-ciclos-ou-ciclos-na-escola/.

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 * Saulo A. Ferreira – Professor da Secretaria de Educação DF

** Artigo escrito especialmente para o blog. Conteúdo de inteira responsabilidade do seu autor


[artigo] Para construir é preciso fundamentar

25/08/2013

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Por: Jackson Barreiros*

Enquanto ocorria o alvorecer das manifestações contra o descaso, a imoralidade política, a corrupção descarada, das maracutaias com a coisa pública, entre outros; o Centro de Ensino Fundamental 27 da Ceilândia estava no Crepúsculo de uma “peleja” com objetivos semelhantes. O GDF planejava a imposição do sistema de ciclos no sistema público de Ensino do Distrito Federal e fomos pioneiros em demonstrar, desmascarar e desarticular as irregularidades desta medida populista. O sistema público de ensino não pode ser fundamentado em mágicas com castelos de carta que vão desmoronar. Seria muita tolice aceitar truques pedagógicos para mascarar o sucateamento da educação. Esconder embaixo do tapete as centenas de escolas que precisam ser reconstruídas e respeitadas.

A afirmação de que o atual sistema de seriação não funciona é baseado em números polares. Polares por serem frios. E pelo fato de que das regiões polares só conhecemos as camadas superficiais. Mas não somos contrários às mudanças. A prova disto é que o sistema de seriação está muito longe do sistema antigo da palmatória que tanto traumatizou alguns intelectuais do oba-oba. Mas eles não possuem limitações nos seus planos de “libertação” e querem criar mais regalias para os estudantes que não querem estudar. Estes teóricos e seus “incontestáveis diplomas e livros de literatura pedagógica” estão invertendo valores e vampirizando a autonomia e a autoridade dos professores jurando que estão defendendo “pobre” filho do trabalhador de um sistema maligno e opressor.  Quem assistiu a Vila De M. Night Shyamalan reconhecerá fortes semelhanças no enredo: criar crianças em uma fazenda como se a “Era das Trevas” não tivesse acabado. Jogar na latrina o conhecimento cognitivo e teórico exigido pelos opressores vestibulares. Inventar histórias falsas e amenizar a dor!

O sistema proposto em 2012 possui pressupostos teóricos que não serão e não estão sendo seguidos. Redução de alunos por turma, maior permanência dos professores com o estudante ao longo dos anos, reorganização da estrutura física das escolas (pesquisem sobre escola de educação Integral em Palmas). A promessa de equiparação da escola pública com a escola particular realizada nas últimas campanhas políticas demonstrou ser um tremendo blábláblargh folclórico; funk de ostentação para manipular o IDEB. Prometer o paraíso e conduzir ao inferno com o objetivo de aprovar os reprovados. MENTIR descaradamente é coisa do Capiroto. Professor não deve fazer pacto de finge que ensina e aluno finge que aprende. Tenho a impressão que as particulares não estão dançando este tango da morte acadêmica.

Corta pro 27, Comandante Hamílton! Esta escola criou um manifesto contrário aos ciclos. Escreveram artigos. Entraram em debates e discussões. Deram a cara a tapas! Anteciparam a lambança que está acontecendo. Sintetizaram que o objetivo real do novo sistema é economizar verbas. Educação não é e nunca foi prioridade para nenhum dos governos do Distrito Federal.  Não importam as cores ou animais da bandeira vigente no Planalto. O projeto de escola pública e criar um circo de eternas promessas.

Alguns governistas, que são partidários antes de serem professores, chegaram a acusar os professores do CEF 27 de estarem suspirando de maneira ressentida as ideologias da Direita. Fomos comparados a Pitt Bulls raivosos. Uma clara inversão. São as matilhas de cães dóceis que ficam associadas a legendas políticas para manipular eventos, ganhar no grito e disseminar idéias que não representam o interesse da maioria. Ofendem o processo democrático de construção do espaço escolar.

 Nós somos uma alcateia de lobos, animais que foram acusados perseguidos por épocas. Eles não fogem à luta e seguem sua natureza.  Diz um ditado que homens podem ser domesticados com dinheiro, cães da matilha podem ser domesticados com biscoitinhos partidários e promessas de grandeza, já os lobos…  lobos não podem ser domesticados. E nossa natureza, pura e selvagem, exige uma escola no qual possamos dar as aulas que daríamos aos nossos filhos. Este objetivo não é negociável.

Encontramos outros lobos no fórum de debate, nos sindicatos, entre os pais e até mesmo em estudantes do Grêmio que estiveram enriquecendo reuniões sobre o tema (jovens do 9º ano lecionando aulas de bom senso para dúzias de secretarias de Estado).  Esperamos vossa colaboração, pois a matilha alienada está infiltrada nos órgãos públicos, e eles não sabem o que fazem. Imaginam que estão sacando a Excalibur para mudar o mundo. Não, não estão! Estão libertando é o Godzilla e outros kaijus. Os mesmos que já destruíram escolas e devoraram criancinhas em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Ceará, Minas Gerais, no BIA…

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* Jackson Wesley Lopes Barreiros  é professor de História na SEDF e semeador das boas discórdias. Desconfia que a adoção dos ciclos, depois do embate com o Judiciário, será opcional. Mas não está preocupado apenas com a sua unidade educacional. Exige a criação de um fórum virtual, aberto á comunidade escolar, para que os professores e membros do governo possam debater a coisa pública de maneira pública. Depois, deixe que pais e alunos, o trabalhador e o filho de trabalhador, escolham a melhor proposta.

 ** Texto escrito para o blog e seu conteúdo é de inteira responsabilidade do seu autor


[concurso] Insegurança causada com a provável escolha do IBFC

20/08/2013

Por: Carlinhos Costa*Carlinhos

Desde que o nome do Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação começou a soar, os candidatos a ocuparem um cargo na Carreira do Magistério Público ficaram assustados. As informações disponíveis na mídia sobre essa organizadora deixam dúvidas sobre a credibilidade e licitude nos processos seletivos. Características negativas descritas entre concursandos podem compor uma extensa lista com: dificuldade para interposição de recursos, respostas subjetivas aos recursos propostos, questões mal elaboradas, com erros conceituais e fora do edital.

A insegurança instaurada parece ter fundamentos. Porém, o momento para quem está em preparação não é para discussões. Com essa possível escolha, o melhor é ter objetivos claros com horários definidos para a dedicação a estudar com maior disciplina, privilegiando tempo para revisões bibliográficas e a execução de exercícios.

Após uma observação das questões relacionadas a Conhecimentos Pedagógicos, notei a dificuldade com a construção das questões, noções de coesão e coerência são desprezadas na elaboração. Outro aspecto é a escolha – por reiteradas vezes – por questões de correspondência, ordenação e questões muito objetivas, com enunciados longos, o que deixa a prova com aspecto conturbado e de difícil compreensão.

Os candidatos devem encontrar ainda mais dificuldades nas disciplinas de Lei Orgânica do Distrito Federal e Lei complementar 840/11 (Regime Jurídico dos Servidores do DF), pois ainda não existem questões dessa banca para entender como será cobrado na prova para professores. O que provavelmente irá acontecer é a utilização da literalidade do texto da lei, favorecendo mais a memória do que o raciocínio do aluno.

 Para você que está se preparando para integrar o quadro da Secretaria de Educação do DF, continue a dedicar-se ao estudo, com a eminência do edital, sua concentração pode ser o diferencial para a aprovação. Dedique-se a fazer exercícios e provas, preferencialmente do IBFC, mas não despreze as questões das bancas como CONSULPLAN e CETRO. Lembrem-se os melhores atletas exercitam-se todos os dias! Você que vai passar não pode parar de fazer exercícios.

BONS ESTUDOS!

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* Carlinhos Costa - Professor de Conhecimentos Pedagógicos e Orientação Educação - Especialista em Direito Educacional e Gestão, Orientação e Supervisão Escolar.

 ** Texto escrito especialmente para o Blog do WD

CONTATOS: E-mail: carlinhosbio@gmail.com Facebook: https://www.facebook.com/carlinhosbio


[artigo] O GRITO DO SILÊNCIO NA ESCOLA PÚBLICA DO DF

12/08/2013

Por: Cristino Cesário Rocha*

O acontecimento, muito mais do que um simples fato (estudante que provoca transtorno em sala de aula – CEF 306 -Recanto das Emas-DF), colocado em discussão por diferentes agentes institucionais e educativos coloca em evidência a função social do Estado, as contribuições da sociedade civil organizada, da família, organizações não-governamentais, sindicatos, lideranças religiosas e políticas, além de trazer à baila problemas antigos: Qual é a política social de sociedade? Qual a política pública educacional de Sociedade?

 Fala-se atualmente em substituir uma política de governo por uma política de Estado. Vejo que precisamos partir para uma terceira possibilidade: mudança de política de governo para uma política pública de Sociedade, pensada a partir da complexidade de sociedades em constante transformação em todas as dimensões. É bem verdade que não basta mudar tipologias no campo teórico É urgente que se cumpra o que está estabelecido na Constituição Federal de 1988, considerada “Constituição Cidadã” por Ulisses Guimarães. Enquanto a Constituição está sendo rasgada, desrespeitada e descumprida, depara-se com todo tipo de desordem e violência.

Há quem grita com o silêncio (docentes) que padecem de uma formação distante da complexidade da vida humana e não humana; que sofre diante de mudanças bruscas na estrutura curricular, sem o devido conhecimento e participação efetiva no processo de construção de novas abordagens teórico-metodológicas; que sofre com o desrespeito e desvalorização de vários segmentos sociais; que padece de adoecimento em local de tralho; que é cobrado resultados sem uma contrapartida da sociedade e de governos, além de sobreviver com salário que ainda está longe de uma valorização efetiva.

O estudante é uma pessoa humana, antes de ser estudante, por isso precisamos examinar melhor nossas atitudes e palavras diante do acontecimento em evidência. Pelo próprio dinamismo social, educacional, político, econômico e e cultural do Brasil e do Distrito Federal, dá para avaliar com maior profundidade a aceleração da violência na escola. Vejo que violência na escola não pode ser solucionada excluindo o estudante da sala de aula, pois ao lado da escola  há fábricas de desvio social com toda a sua nudez. Se o docente possui seu silêncio produzido que assume a forma de grito do silêncio, há o grito do estudante que na condição de pessoa humana, responde ao silêncio de muita gente e instituições. Não há atitude humana em abstrato, sempre se experimenta o que se pensa e faz em termos societários.

Ao depredar um bem público (cadeira da escola), muitos estudantes alegam que se trata de uma “coisa pública”, podendo quebrar sem problema. Vejo essa atitude, por mais que seja sem a consciência da relação Sociedade, Indivíduo e Estado, como uma atitude reprodutora do modo de ser das lideranças políticas que apropriam da “coisa pública” e fazem o que bem querem, inclusive o desvio de recursos incontáveis que ajudam a produzir mais violência. Penso que o indivíduo seja impactado por um modo de pensar, de ser e de fazer política. É também impactado por um tipo de política educacional, claro que sem tirar a responsabilidade subjetiva do ato.

 Enfim,não vejo como solução atacar o estudante enquanto um indivíduo isolado de seu contexto socioeconômico, político,cultural e educacional. Não dá para pensar de maneira unidimensional, nem ver a situação como a pior dos acontecimentos. Há violência estrutural que precisa ser melhor examinada para compreender a complexidade das atitudes, não apenas dos estudantes e docentes, mas do conjunto da sociedade. São muitas situações que estão imbricadas visíveis ou de maneira latente nesse acontecimento. Tenho a convicção que não se pode medir a pessoa humana por um ato, mas pelo conjunto, historicidade e cultura que dão uma direção aos atos.

O grito do silêncio de quem padece de toda ordem de negação de direitos é diferente do silêncio tácito de quem se cala por comodismo. É preciso que instituições sociais e agentes educativos promovam a sensibilidade e a prática do respeito da coisa “pública” e da pessoa humana, tornando as relações mais prazerosas e humanamente possíveis.

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*Cristino C. Rocha – é professor da escola pública do DF

** texto escrito especialmente para o blog


Educação: último semestre do Governo Agnelo

29/07/2013


 Nesta semana começa o segundo semestre letivo de 2013 nas escolas públicas do Distrito Federal. Este também será o último semestre do Governo Agnelo. Não que o “FIM” do Governo seja ao final deste período, mas este será sim o último semestre em que a atual Gestão do DF terá para implantar algum projeto que reverta o imenso descontentamento da comunidade escolar com está área.

Até aqui foram 6 semestres do Governo Agnelo, marcados muitos mais pelas polêmicas e equívocos do que por iniciativas positivas aos olhos do povo.

O ano de 2011 foi praticamente perdido por erros como o da convocação de 1545 professores aprovados em concurso sem a devida previsão orçamentária. Além disso, o processo de elaboração e aprovação do projeto de gestão democrática que marcaria o início da virada do Governo na Educação acabou virando uma novela desgastante.

Já em 2012 todas as propostas encaminhadas pelo Governo ficaram em segundo plano. A pauta acabou sendo monopolizada pela desgastante relação com a categoria durante a greve e com o debate negativo sobre a apressada implantação dos ciclos de aprendizagem e semestralidade.

Agora em 2013 mais uma vez tivemos os embates pela aprovação do plano de carreira, mas o que marcou mesmo até aqui foi a radicalização do debate sobre os ciclos e semestralidade.

Agora chegou o último semestre para que alguma agenda positiva seja implantada, pois todos nós sabemos que nos últimos dois semestres deste Governo já estaremos em período eleitoral e aí será “tempo de colheita” daquilo que plantou ao longo da gestão. Ou seja…!

Será?

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Washington Dourado


A triste realidade de uma parte dos professores da SEDF

08/07/2013

Quando publiquei neste blog o post com o título: Relato chocante de uma professora recém contratada da SEDF, já sabia que um grande número de cometários relatando situações idênticas seriam enviados. Entretanto, não imaginava que a simples publicação de um relato provocaria uma reação tão grande como esta. Só para se ter uma ideia, até o momento foram 323 compartilhamentos no Facebook, dezenas de comentários naquela rede social. Porém, o que mais choca é o conteúdo da maioria dos mais de 70 comentários enviados até agora.

São relatos que expressam cansaço, frustração,  sofrimento com o exercício de uma profissão que já foi o sonho de muitos, mas que atualmente está relegada ao descaso dos governos e da própria sociedade. É óbvio que não se trata de uma realidade de “toda” a categoria, mas de uma “parte” dos seus integrantes. O problema é que esta “parte” não é pequena e a tendência é que aumente cada vez mais.

Nas escolas públicas do DF o número de professores doentes ou em processo de adoecimento cujo nexo causal está relacionado ao exercício da profissão é alto e tende a crescer. Nos relatos publicados AQUI  é possível identificar muitos dos motivos que levam a este quadro preocupante.

É claro que esta situação não é um privilégio do DF, mas é incompreensível o fato de numa rede como a nossa, que conta com recursos diferenciados em relação a outras unidades da federação, o Governo ainda não tenha desenvolvido políticas públicas para amenizar esta triste realidade. Mas vamos denunciar e exigir uma resposta.

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Washington Dourado


Adoecimento é quase “epidemia” entre professores

07/07/2013

 

De repente o sonho de ser professor e compartilhar conhecimento com estudantes aos poucos se desfaz. O processo de desilusão é lento e gradual, porém a certeza de que já não dá mais para continuar é percebido quando, logo na ida para o trabalho, o coração começa a disparar, a sensação ruim aumenta e simplesmente esse professor, que outrora almejou tanto estar naquele local, simplesmente não consegue entrar na escola. “Eu cheguei no limite de travar na porta da escola e disparei a chorar, olha a situação”, conta, emocionado, um professor da rede estadual de ensino de Sorocaba, que preferiu não se identificar para não ser prejudicado.

Esse professor conta que adorava lecionar, mas que o sistema de progressão continuada o desgastou. “Quando o governo implantou, nós professores nos sentimos meio acuados porque o fato de não poder reprovar os alunos levou muitos estudantes à indisciplina. Tem alunos que vão à escola sem caderno, então você se sente um fantoche, uma marionete, porque não tem autonomia. A verdade é que na escola estadual você se sente um nada. Afinal por que estou aplicando provas, dando trabalhos, se o aluno não vai se empenhar? Estou fazendo isso à toa”, desabafa o professor. Para ele, o que aconteceu é que o profissional da área perdeu o respeito. “Como se não bastasse tudo isso, para aplicar provas o professor tem ainda de tirar dinheiro do bolso porque a escola não tira as cópias necessárias”, relata.

Salário baixo, ausência de um plano de carreira e a agressividade por parte de alunos indisciplinados são outros fatores que, somados, causam um desgaste muito grande. “Tudo isso deixa a gente muito pra baixo. Sou pós-graduado, tenho 25 anos de profissão, adoro o que faço e acabei entrando em depressão. De sete anos para cá peguei aversão de escola”, lamenta, profundamente desapontado com o momento que está vivenciando.

Ele conta que por motivos de doença, passou a usar todas as faltas a que tem direito. “Tirei as faltas abonadas e as faltas médicas, já cheguei a ter quatro, cinco faltas por mês. Isso fazia com que eu deixasse de ganhar bônus e também a escola, mas enfim. O sistema é responsável por tudo o que estou passando”.

Uma pesquisa divulgada pela Apeoesp em 2010 revela que 48,5% dos professores do Estado de São Paulo sofrem com estresse e 26,6% com depressão. Mais de 40% dos profissionais declarou que sente-se cansado, sobrecarregado, emocionalmente exausto, muito cobrado pelas pessoas, frustrado, com vontade de mudar de profissão e sem perspectiva de futuro, sintomas atribuídos à Síndrome de Burnout. A pesquisa ainda mostra que 34,4% dos professores declararam que precisaram se afastar ao menos uma vez da sala de aula por razões de doença sendo que, dentre eles, 42,5% por males ligados diretamente à ocupação.

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Assédio moral nas escolas públicas do DF

29/06/2013

Não há estatística oficial, mas basta acompanhar os atendimentos realizados pelo Jurídico do Sinpro para verificar que as reclamações e denúncias de assédio moral cresce nas escolas públicas do DF. É claro que após uma análise mais acurada, verifica-se que a maioria das reclamações e denúncias não se enquadram nas características definidoras de assédio moral…

“É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras,repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego.”*

… mas demonstram claramente que em muitas escolas da Rede Publica de Ensino do DF o clima é de intolerância, pressão, constrangimento.

Neste tempo como dirigente sindical já acompanhei os mais diversos casos: direção de escola que constrange, que estimula a comunidade e os próprios colegas contra professor; direção que rebaixa a avaliação funcional do profissional sem critérios claros, que faz registros depreciativos em ata sem conhecimento do subordinado; direção que pressiona professor “falador” a sair; direção cria situações constrangedoras para professor temporário sair da escola e vir outro “de sua confiança”; direção que só aceita em “sua escola” professor temporário ou efetivo conivente com suas ações; direção que faz denúncias anônimas na Ouvidoria contra professor; direção que obtém o silêncio de alguns fazendo “negociações” de pequenas regalias enquanto “jogam duro” com outros do grupo e por aí vai.

São muitas as situações que em plena coordenação coletiva e até reunião com pais e alunos o professor, orientador ou servidor da Assistência é exposto, criticado e até ridicularizado por quem ocupa cargo de chefia em escola.

São muitas as situações, silenciosas ou não, que ocorrem dentro de muitas escolas e acabam levando professores, orientadores e funcionários a se sentirem cada vez mais diminuídos, constrangidos e excluídos das atividades. As consequências mais comuns são conflitos pessoais, do adoecimento da parte agredida e degradação do ambiente de trabalho. Em muitas escolas do DF o clima entre os profissionais é tão pesado que compromete até o trabalho desenvolvido com os alunos.

A solução não é simples, mas é necessário que medidas sejam tomadas para melhorar o ambiente de trabalho nas escolas, inibir eventuais abusos na relação profissional e evitar os sofrimentos característicos das situações citadas acima. O Governo pode e deve desenvolver políticas de melhoria do ambiente de trabalho, promover campanhas de esclarecimento, preparar melhor os gestores e atuar para punir as agressões comprovados.

Como disse no início deste texto, não há uma estatística sobre os casos de assédio moral nas escolas públicas do DF, mas para comprovar o que disse acima, basta perguntar professores readaptados, em licença médica ou aposentado por invalides por motivo de doenças como depressão e outras psicológicas para se comprovar que a maioria desses casos tiveram início nas relações de trabalho. É verdade que muitas desse fatos não se enquadram, mas boa parte tiveram sim como motivo situações que podem ser caracterizada como assédio moral. Por isso é importante jogar luz neste debate.

É claro que em algumas escolas o contrário também acontece: professores serem responsáveis por situações conflitantes com a direção escolar. O número de casos desse tipo é menor, mas existe sim. Porém, tratarei deste assunto em outro texto.

Por fim, é importante registrar que este não é o quadro geral das escolas públicas do DF. Na maioria o ambiente de trabalho é bom e as relações profissionais se dão em elevado grau de respeitabilidade e valorização entre os próprios colegas. Entretanto, não podemos deixar de reconhecer que em alguns instituições de ensino a situação é realmente preocupante.

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Washington Dourado

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Leia também: O que é assédio moral


10 lições da Finlândia para a educação brasileira

23/05/2013

FONTE: Revista Exame

São Paulo – “Educação faz parte da nossa cultura”, explica a diretora do Ministério da Educação e Cultura da Finlândia, Jaana Palojärvi. A diretora chega ao Brasil como representante de um dos sistemas educacionais mais bem avaliados do mundo, com alunos se destacando nas primeiras posições da principal avaliação internacional de estudantes, o Pisa.

Jaana veio ao Brasil com um discurso otimista: segundo ela, é possível revolucionar o ensino de um país em algumas décadas. Afinal, é isto que a Finlândia fez e continua fazendo desde 1970.

Há quarenta anos, o país reviu suas prioridades e revolucionou o sistema que, hoje, é exemplo mundial apontado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE ) e pela ONU, com o Índice de Educação Global, no qual a Finlândia integra o primeiro lugar.

No Seminário Internacional sobre o Sistema de Educação do país, que aconteceu nesta quinta-feira em São Paulo, a diretora do “MEC finlandês” reiterou a  receita do sucesso educacional, conhecido pela liberdade e flexibilidade que concede a alunos e professores.

As lições de lá não necessariamente podem ser replicadas por aqui. Muitas questões, como as horas em salas de aulas ou o poder dado aos professores dividem especialistas brasileiros. Mas ninguém pode ignorar o que um sistema de excelência faz.

Confira abaixo 10 lições

1. A educação tem de ser igual e gratuita a todos

Jaana Palojärvi é veemente ao afirmar que as escolas na Finlândia oferecem a todos ensino de qualidade e gratuito. Por lá, apenas 2% das instituições de ensino são particulares, e mesmo estas são subsidiadas pelo governo. Além disso, a diretora defende que o padrão de ensino é o mesmo em todas as escolas finlandesas e, por isso, as crianças passam a frequentar a escola do bairro, que está mais próxima de onde elas vivem. Um princípio de igualdade que equaliza oportunidades.

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Ciclos: suspiros da Direita ressentida

17/05/2013

Autor: Raimundo Nonato

A mentalidade conservadora quando sente seu poder periclitar reage, quase sempre, de maneira violenta. Usa armas quando o momento histórico lhe propicia, ou impõe o medo quando ainda restam mecanismos de Estado capazes de controlar as manifestações políticas e sociais. Tem sido assim, aqui e alhures.
No Brasil, por não termos cultura política democrática, os setores direitistas se veem aflitos quando a História nos possibilita momentos livres para o debate, para o questionamento e para a cobrança. Eles se alvoroçam quando perdem as chances de se associarem a quaisquer nichos de poder e tentam se sobressair com destempero de suas linguagens e, por pura carência, com exaltação de seus egos. Vemos isso nos partidos políticos, em setores da mídia e, claro, nas instâncias da Educação formal.

Neste último caso, especificamente no Ensino Básico Público daqui do Distrito Federal, onde temos tido oportunidade de acompanhar de perto, desde a década de noventa, a ação conservadora foi quem mais atuou. No poder e ao ritmo da onda liberal, ela fez o que pode para favorecer o comércio de ensino. Precarizou o setor público, impediu avanços na melhoria do desempenho escolar e represou o debate em todas as instâncias da Secretaria de Educação. Tão fortes foram suas ações que hoje temos um dos piores ensinos do Brasil.

Na década de noventa, precisamente nos anos 1995 a 1998, foram criadas as condições necessárias para o debate sobre uma alternativa à fracassada seriação. Naquele momento o modelo de Ciclos chegou a ser implantado em toda a fase inicial de aprendizagem, mas foi suprimido logo que os conservadores voltaram ao poder.
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* Artigo de inteira responsabilidade do seu autor
** Artigo em resposta a outro publicado neste blog com o título: Para lembrar que também temos deveres – A defesa da seriação e a negação das políticas de falsa inclusão social.

[artigo] Para lembrar que também temos deveres – A defesa da seriação e a negação das políticas de falsa inclusão social.

08/05/2013

Jackson

Autor do texto: Jackson Weley

14 Pontos para rejeitar os ciclos de aprendizagem no DF

O próximo ano será o marco inicial do enterro da Educação Pública no DF. O sistema de ciclos vai infectar a prática escolar e promover o golpe final de um descaso cognato de políticos de todas as vertentes quando o assunto é Educação pública: a intervenção com propostas tolas e a desvalorização do professor. O GDF tentou utilizar de autoritarismo para forçar a utilização dos ciclos no começo de 2013. O Conselho de Pais e os professores foram contrários. Mas parece que foi entendido que desejávamos adiar a proposta para estudar melhor e preparar as escolas.

Para o professor não é hora de dialogar. O diálogo prevê troca de experiências; e os cursos que estão sendo ministrados na Regional buscam doutrinar os professores e entregar diplomas de curso de formação. Para não ser injusto, considero que alguns dos organizadores acreditam na construção democrática de uma proposta da base, seja ciclo ou não, mas o direcionamento é imposto e muitos coordenadores são incapazes de argumentar que os professores da sua escola são contrários. O sistema de ciclos, dentro da visão do atual governo, já está IMPOSTO. Debater contra a máquina estatal é socar uma parede talhada com cacos de vidros; em outros Estados, alunos e professores lutaram contra esta nova modalidade de descaso na Educação e foram derrotados. É uma forma muito estranha de democracia, principalmente quando lembramos que esta proposta não estava incluída na campanha eleitoral de Agnelo Queiroz em 2010. Mas seus lobistas já estavam espalhados nas entranhas do governo planejando o golpe. Entretanto, o orgulho do professor o obriga a lutar qualquer batalha justa, não pela certeza da vitória, mas para fazer o que é certo. Devemos isto para os nossos estudantes.

Certa vez um dos meus lecionandos acusou a minha categoria de vampirismo, pois só brigávamos por aumentos salariais. Nunca fazíamos greve ou nos movimentávamos por motivos pedagógicos. Ele não estava totalmente errado. Isto tem que mudar. Esta categoria não pode permitir que o capitão do nosso barco seja um governo que nem sabe se fica. O navio é nosso. O professor é quem está qualificado para realizar mudanças na educação. Basta estudarmos as fontes, adaptar com o nosso rico conhecimento tácito e trocar experiências de sucesso! Secretários, governadores, membros de Sindicatos e Doutores engravatados (no estilo Miguel Arroyo) devem seguir o nosso parecer técnico; ao invés de ficar criando formulas mágicas para manipular o IDEB, ironizar nosso trabalho e infernizar nosso ambiente de trabalho. O embasamento teórico deles é importante para o debate, mas presenciar que existem professores no “falso fórum” que não se consideram capazes de construir uma proposta para a realidade do DF é vergonhoso. Se você não é competente para realizar esta tarefa, peça exoneração, a porta da rua é serventia da casa. Devemos lembrar que certificados de Doutorado não são certificados de razão! A maioria dos professores da SEDF não possui o título; não significa que eles estão congelados no tempo e esqueceram a importância de ler e pesquisar.

O Centro de Ensino Fundamental 27 da Ceilândia criou uma Manifesto contra os ciclos da Aprendizagem no DF. Estamos registrando nossa indignação. Mas não temos verbas para propaganda. Nós precisamos de vocês, sejam favoráveis ou contrários, queremos saber o que a maioria das escolas está pensando, já que ninguém está perguntando! Discutam nas coordenações gerais e se a maioria desejar assinem o manifesto nos comentários: http://manifestocontraosciclosnodf.blogspot.com.br/2013/05/nos-queremos-voce-no-manifesto-contra.html#comment-form. Vocês não estarão sozinhos, já temos o apoio informal de outras escolas e dezenas de professores e alunos do DF. Permitir que as regionais colecionem relatórios de reuniões, que serão provavelmente arquivados e esquecidos, é permitir o controle da máquina. Precisamos nos movimentar agora, ou agir como fantoches, enquanto a EAPE doutrina os professores com palmatória.

Eu sou Jackson Wesley Lopes Barreiros, formado em História pelo UniCEUB. Provavelmente serei acusado de arrogância e sofrerei perseguições políticas. Mas estamos na Era da falsa humildade. Do diálogo que termina em pizza. Eu gosto é da discórdia, não suporto a imposição de políticas abusivas, tolas, que matam o orgulho da minha categoria. E devo lembrar que a arrogância é definida pelo Houaiss como ato de atribuir a si direito, poder ou privilégio; é insolência e atrevimento; o orgulho que não se esconde; a altivez e intolerância contra ideias idiotas. Apesar da minha completa falta de tempo, pouca paciência para revisar o texto, e excessiva sonolência; esforcei-me para escrever 14 pontos bem detalhados, associados ao nosso Manifesto de Estudos, que rejeitam esta política confusa, infantil e ineficaz de ciclos. É uma referência evidente aos 14 pontos de Wilson, presidente estadunidense que buscava semear a paz na Europa e evitar a eclosão de uma 2ª Guerra. Ficou um pouco extenso, então se você for um defensor sicofanta do novo e bizarro sistema, não leia tudo de uma vez; siga as minhas instruções médicas. Eu não tenho problemas com perseguições políticas, na verdade é um sonho de infância.

Desafio os membros das regionais (especialmente o meu amigão Nonato Menezes; especialista em proferir tolices, mas apenas em ambientes privados), teóricos de boteco e faculdade, membros do governo, o fantasma de Paulo Freire (tem vários oráculos que falam por ele e criam verdadeiros Evangelhos da Educação), eternos sonhadores e outras criaturas para a dissecação e negação das minhas ideias. Não estamos nas salinhas da regional com a perda e manipulação de informações, proponho o debate aberto e registrável para estudo posterior. Quero ver a defesa de certas teorias no ambiente público, sem a coação mesquinha gerada pelo tempo, que alguns utilizam para nos tratar como gado. Apesar de que tudo indica ataques previsíveis e citações do Manifesto Comunista. Faço dos comentários o meu consultório, o atendimento é coletivo… Outros doutores do cotidiano, que trabalham nas mais diversas escolas, conhecem seus alunos e a comunidade, estão convidados para participar da elucidação deste monstro que nossos amados “líderes” estão retirando do armário para baratear a educação dos nossos estudantes!

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* Jackson Wesley é professor da Rede Pública de Ensino do DF

** O espaço deste blog está aberto para quem mais desejar publicar artigos 

*** Este artigo é de inteira responsabilidade do seu autor


[artigo] Cristiano Lucas: Professor, ativista de direitos humanos, defensor inconteste da laicidade do Estado brasileiro e orgulhosamente gay!*

14/04/2013

Por: Cristiano Lucas Ferreira

Apesar desses dias serem serem intensamente políticos, tenho feito uma visita ao meu passado. Principalmente aos meus tempos de menino. E é chato voltar a essa época, principalmente porque tenho tão poucas lembranças felizes da escola!

Lá, nunca se esqueciam de me ridicularizar, de me bater, de me xingar… Minhas professoras? riam de mim! Mandavam eu virar homem (uai, eu não era?). Passava grande parte do tempo sozinho, sem ter muitos amigos. Somente na adolescência é que conheci outros iguais a mim. Se não fossem meus amigos e amigas, viados, sapas e travestis e esse meu gosto e prazer em estudar, eu não teria sobrevivido. E bem provavelmente eu não estaria escrevendo agora, pra vocês.

Sendo a escola o lugar onde eu mais apanhava, mais era humilhado, mais excluído, era pra lá que eu deveria voltar. Decidi ser professor já na 4ªSérie. Infelizmente, o que aconteceu comigo, durante toda a minha vida escolar, acontece com muitos meninos e meninas. Todos os dias. Em todas as escolas.

Há 15 anos sou militante pelos direitos humanos. Neste período, fui forjando minha atuação política no fogo da democracia, do respeito às diferenças e da diversidade.

Sendo professor, esses mesmos princípios pautam minha prática profissional, minhas concepções de educação e principalmente, meu compromisso com meus alunos e alunas. Não vejo outra explicação para ter escolhido essa profissão. Esses duas identidades, a de ativista dos direitos humanos e a de professor é que me impulsionam a lutar por um mundo sem preconceitos, dentro e fora da escola. E são essas mesmas identidades que me fazem participar ativamente das manifestações contra a permanência do Deputado Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados.

O projeto de sociedade defendido pelo grupo do Deputado afronta os princípios fundamentais da nossa tão combalida democracia. Este grupo defende um discurso que nos diferencia. E nós defendemos um discurso de igualdade. Discursos inconciliáveis. Não existem direitos pela metade. Numa sociedade democrática eles precisam ser plenos. E é por isso que lutamos.

Na quarta-feira passada, dia 10 de abril, cheguei ao Congresso, por volta de 13h30 para acompanhar mais uma sessão da CDHM. O plenário já estava repleto de apoiadores do Deputado Marco Feliciano. Assim que o Deputado entrou na sessão, comecei a ser agredido verbalmente por pessoas ligadas ao Dep. Feliciano. As agressões verbais evoluíram para agressões físicas. Num determinado momento, essas pessoas começaram a empurrar a mim e a outros ativistas.

No meio de toda aquela confusão, o Deputado Jair Bolsonaro filmava toda a cena com seu celular. Foram essas cenas, que compuseram parte do vídeo que ele divulgou em seu site e no youtube, na noite de quinta-feira.

Ele, utilizando de meios ilegais, investigou quem eu era, onde trabalhava, o número de minha matrícula e de fotos de meu perfil no facebook que somente pessoas autorizadas tem acesso.

Além disso ele divulga no vídeo apenas a parte em que eu respondia às agressões, escondendo o fato que eu já estava sendo agredido desde o início da sessão com a intenção de mostrar que eu sou o agressor e não o agredido.

Além dessas imagens produzidas por ele, o Deputado utilizou imagens de minha participação no Seminário sobre Sexualidade da Infância, realizado na Câmara Federal, ano passado. Neste mesmo Seminário estavam presentes pesquisadores de várias universidades, representantes da SEDF e de professores/as da rede pública do DF.
Ao editar a minha fala e imagens, ele incita as pessoas a acreditarem que tanto eu, como outros professores e professoras homossexuais, incentivam a homossexualidade na infância e a pedofilia.

Assim, ele não atinge somente a mim, mas tantos/as outros/as profissionais da educação que gays, lésbicas e transgêneros. E infelizmente ele representa um discurso muito recorrente.

Numa escola, onde comecei minha carreira de professor, em 1994, lá na periferia de Anápolis, os pais de meus alunos e alunas exigiram que a diretora os mudasse de sala. O motivo? Não queriam que um professor gay tivessem contato com seus filhos e filhas. A diretora além de atender prontamente o pedido dos pais, começou a me perseguir até me despedir. Quantos de nós não sentiria esse desconforto? Muitos/as? Poucos/as? Até que ponto a categoria acredita nessa ideia? Será que somos todos nós, livres de preconceitos?

O Deputado teve o claro objetivo de me expor e prejudicar minha carreira profissional além de incentivar a violência, colocando minha integridade física em risco, por publicar informações funcionais e pessoais. E ao contrário do Deputado, não tenho foro privilegiado, imunidade parlamentar, acesso irrestrito a imprensa e assessoria jurídica e muito menos dinheiro.

Mas minha capacidade de indignar-me isso nem ele, nem ninguém será capaz de tirar de mim. Não nos jogarão de volta pro armário!

Cristiano Lucas Ferreira: Professor, ativista de direitos humanos, defensor inconteste da laicidade do Estado brasileiro e orgulhosamente gay!

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*Este artigo foi escrito em resposta ao debate gerado pela publicação neste blog de nota de repúdio ao ataques do Deputado Bolsonaro contra o professor Cristiano. Clique aqui e leia a nota.  


[debate] Ciclos de aprendizagem: resposta ao manifesto dos professores do CEF 27

10/04/2013

Por: Jose Jesus*      

Caros professores da Escola Classe 27**,                        

 Em primeiro lugar digo que sou professor, como todos vocês, entre recentemente na Secretaria de Educação do Distrito Federal (2009), mas sou professor há algum tempo (desde 1985). Já trabalhei nos diversos sistemas de ensino do infantil à faculdade e também como formador nessa e em outras redes. Faço esse esclarecimento para que não surja, de início, um argumento comum entre nós educadores da falta de legitimidade de quem fala, aquele discurso que diz: “Ele fala isso porque está distante da sala de aula.”

Discuto inicialmente o argumento que vocês apresentam que “a escola não está preparada para os ciclos de aprendizagem”. As primeiras perguntas que surgem é:

a) Qual a preparação necessária da escola para os ciclos de aprendizagem? b) O problema é da rede física ou dos profissionais da educação? c) Quais os requisitos necessários para implantação dos ciclos, que estão no rol dos argumentos apresentados por vocês?

Quando apresentam um discurso genérico dizendo que a escola não está preparada sem apresentarem os argumentos desse discurso fica uma brecha para que esse discurso seja desmontado. Vocês querem dizer que a escola não está preparada, mas não abrem o caminho para que ela seja preparada, então isso fica aparentando ser a resistência pela resistência.

Conhecendo bem o nosso sistema de governo e a descontinuidade dos programas de governo local fico imaginando como gestor, qual seria o caminho ideal para implantação de uma mudança… Os programas do Governo Federal vem melhorando quanto a continuidade, tem programas que já estão incorporados como Programa de Estado, merenda, FUNDEB, PNLD, sistemas de avaliação externa entre outros, mas em termos locais somos como ostras carregados pelas ondas, a cada mudança de secretário sofremos os solavancos e somos arrastados a uma nova corrente teórica, e a mudança de secretário não erradica uma concepção e propõe uma nova, vai sendo feito uma amálgama de teorias, porque aquilo que havia iniciado permanece com a sobreposição da nova camada de cal.

Tudo isso acontece porque os educadores no dia a dia não estão aproveitando o tempo para construção de um debate sobre como a educação deveria ser, vocês (nós) reconhecem (emos) a necessidade de mudança: “Não é de hoje que estamos cientes de que precisamos evoluir nossa prática pedagógica e repensar o nosso sistema de educação.” Mas qual mudança surge a partir do piso da escola? Qual a nossa proposta como educadores para resolver a exclusão, reprovação e a melhoria real das condições de aprendizagem?

Existe um discurso apressado sobre a transformação da escola em uma agência social, com médicos, psicólogos, assistentes sociais etc, como se fossemos uma ilha que funciona dentro de uma sociedade com sistema médico-hospitalar falido, secretarias de bem estar social que não dá conta de cadastrar pessoas em situação de rua, quanto mais atendê-los. Criar o “Estado do Bem Estar Social” dentro da escola é uma falácia, fracassaremos do mesmo modo que esses sistemas fracassam fora da escola. O aluno, enquanto cidadão, precisa ser atendido em suas necessidades de saúde, esporte, lazer, moradia, alimentação etc, mas a escola não pode abarcar todas essas funções além daquelas que lhe é própria, a ação de educar, formar e preparar para vida.

Outro argumento apresentado é que quem executa a política na prática, os professores, deveriam aprová-la. Essa estratégia de democracia direta (gregos na ágora), precisa ser explicitada. Trabalhando como formador percebo a dificuldade em manter professores reunidos no tempo de coordenação, isto é, tempo pago pelo Estado para estudo e aperfeiçoamento, então é praticamente impossível mantê-los unidos para o debate de propostas de mudança.

A discussão do Projeto Político Pedagógico da escola, que deveria contemplar todos esses aspectos, muitas vezes passa ao largo, a discussão do currículo escolar tem sido feita a partir do simples contraposição ao formador, sem a construção de alternativas. De onde virá então a mudança?

Quanto a colocação de que somos “meros coadjuvantes”, quem não protagoniza é coadjuvante, acredito que não há outro papel. Pobre do governante que não estabelece uma política e fica ao sabor da babel de opiniões. Qual o movimento organizado de professores que apresentou uma proposta completa de educação, factível e viável ao governante? Mesmo as nossas organizações sindicais apresentam pontos ou pautas ao governo e não uma proposta completa, até porque acho que não é seu papel.

Poderia se criar um fórum de professores ou se estabelecer algum mecanismo de participação, mas na prática o que vemos são os representantes dos fóruns levarem a sua própria opinião, visto que no chão da escola não há debate. Depois quando decisões são tomadas elas são chamadas de verticais! Não estou defendendo nenhum governo em particular, vi isso acontecer em todos pelos quais passei! Se os gestores não defenderem um plano de ação são chamados de inaptos, incapazes, indolentes etc…

Um argumento recorrente é dizer que o governante não respeita a opinião dada, mas estamos esquecendo que não existe apenas a opinião da Escola Classe 27, cabe ao administrador equalizar todas as propostas apresentadas e como executor tem de buscar aquelas que são factíveis, criar um “Estado do Bem Estar Social” dentro das escolas do GDF é possível? Se assim fosse tudo estaria funcionando.

O Estado moderno não pode mais atuar na perspectiva da alienação do cidadão, já estamos no ocaso dos coronéis que lutavam pela manutenção de sua hegemonia através da ignorância dos cidadãos, salvo exceções, acredito que consiste peso para os governantes taxas de mortalidade infantil, analfabetismo, falta de saneamento entre outros dados. O Estado que busca incluir a todos não é uma cornucópia de benesses, é uma necessidade dos tempos atuais. O cidadão analfabeto tem que ser arrastado por aqueles que não o são, constituindo redução do processo produtivo e não geração de bens, produtos, impostos e riqueza, objeto final de quem administra.

Em outra afirmação é dito: Queremos e apoiamos mudanças que renovem o nosso ambiente escolar para melhor, mas por meio de  algo realmente novo, funcional e, acima de tudo, possível”. A partir dessa afirmação surgem novas perguntas:

a) Qual o realmente novo, funcional e possível? b) Alguma proposta do governo ou nossa? c) Se nossa qual é a proposta?

Professores, ciclos não é algo novo, desde o início século passado se escreve e se fala em ciclos de aprendizagem, mas o sistema econômico capitalista se conformou mais às séries com exclusão e repetência, porque assim se criaria uma reserva de mão de obra analfabeta que estaria sempre a disposição do capital, só que, com as crises do sistema e sua renovação acabaram por chegar a uma situação que é insustentável, a massa de analfabetos torna-se um peso morto que precisa ser arrastado pelo trabalho vivo. Nesse momento, muda a função da escola que deixa de ser excludente, seletiva e passa incluir a todos, não pela “bondade”, mas sim, pela necessidade.

Os sistemas de bolsas sociais que incluem na rede de consumo os depauperados funciona por algum tempo, uma geração, mas a geração seguinte precisa estar incluída no sistema produtivo, se não o castelo de cartas rui, e tudo vem abaixo ou se conforma em uma nova organização.

Sem utopia e de modo pragmático é necessário entender que há uma necessidade da sociedade, que é ensinar a todos, cabe a nós professores, que somos parte de um sistema, não adianta nos excluirmos, decidir se vamos aderir a esse novo processo de modo consciente ou se vamos nos deixar arrastar realizando apenas as tarefas do cotidiano.

Jose Jesus – Professor da SEDF

** Clique aqui e leia o manifesto do CEF 27


[artigo] Regulamento disciplinar: ferramenta para a paz na escola

07/04/2013

FONTE: Jus Navegandi

O Regulamento Disciplinar é ferramenta necessária ao aprimoramento do ensino, da formação do educando, do bom funcionamento dos trabalhos escolares e do respeito mútuo entre os membros da comunidade, visando à obtenção do ambiente de diálogo e cidadania, indispensáveis ao objetivo de paz no ambiente escolar.

O clima é de geral preocupação com o ambiente deteriorado e desrespeitoso existente nas escolas do país – públicas e particulares. O bullying virou rotina. Furtos aumentam. Depredações se repetem. Invasões em finais de semana reservam vexatórias surpresas de dano e nojo na segunda-feira. As drogas comparecem amiúde. Armas são apreendidas. Mortes ocorreram. Alunos que não querem aprender destroem a paciência de todos. Alunos que desejam aprender toleram o ambiente com dificuldade. Todos aprendem abaixo do essencial.  É grande a evasão, só atenuada pelo advento das obrigações que levam ao Bolsa-Família. Famílias que jamais praticaram disciplina pretendem que a escola eduque seus filhos, mas não apoiam a escola, quando esta precisa exercer autoridade. Profissionais de educação adoecem. Os teóricos do sistema sempre os põem – injustamente – na condição de culpados. E muitos professores, nesse quadro, psicologicamente chutam o balde, tentando levar a aula “de agora” até ao desfecho em que tenham a felicidade – cada vez mais rara – de não serem agredidos de alguma forma. Há os que – em seu prejuízo financeiro – antecipam aposentadorias. Entristecidos, saem imerecidamente pela porta dos fundos da carreira onde ingressaram cheios de esperanças e sonhos. A resultante disso tudo: um país desesperado atrás de mão de obra qualificada, mas com baixíssimos índices de aproveitamento escolar, que não faz boa educação acadêmica porque há falta de educação social e emocional.

Leia mais: http://jus.com.br/revista/texto/24097/regulamento-disciplinar-ferramenta-para-a-paz-na-escola#ixzz2PpbBEDHG


[artigo] A formação permanente na SEDF: tempo de mudanças?

23/03/2013

Por: Cleverson Domingos*

A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe coloca o dever de se preparar, de se capacitar, de se formar antes mesmo de iniciar sua actividade docente. Esta actividade exige que sua preparação, sua capacitação, sua formação se tornem processos permanentes. Sua experiência docente, se bem percebida e bem vivida, vai deixando claro que ela requer uma formação permanente do ensinante. Formação que se funda na análise crítica de sua prática. (Carta de Paulo Freire aos Professores)”

Recentemente, o professor Mário Bispo publicou o texto “Por uma política de estado para a seleção e formação de educadores” no Blog do Washington Dourado, na qual expõe sua preocupação com a formação dos/as professores/as e orientadores/as educacionais que atuam (e/ou vão atuar) na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF). No seu texto, ele argumenta a favor de algumas mudanças nos processos seletivos para professores/as que vão atuar na SEDF, seja os processos simplificados para professor/a temporário, seja nos concursos públicos.

Dentre essas mudanças, o professor Mário Bispo destaca que os conteúdos dos processos seletivos simplificados e dos concursos públicos estão muito aquém do que se espera em uma seleção de profissionais de educação (professor/a e orientador/a). Cobram-se conteúdos como “direito administrativo com uma ênfase exagerada em processos legais em detrimento do item relativo ao próprio regime jurídico dos servidores públicos” (p. 1). Além disso, a prova de atualidades não faz “nenhuma questão concernente às atualidades educacionais” (p. 1).
Outro ponto, talvez o mais polêmico, é em relação à falta “de provas discursivas e provas práticas em um concurso para professor” (p. 1), tal como ocorre em outros Estados brasileiros. O professor Mário Bispo questionou por que é exigido provas práticas para os candidatos de língua estrangeira e música e não se faz essa mesma exigência para os/as candidatos/as aos cargos de Sociologia, Filosofia, Artes, Matemática, Atividades, dentre outros. Talvez por conta do que ele mesmo argumenta a favor: por falta de uma política de estado para a seleção e formação de educadores.
CLIQUE AQUI  e leia a íntegra deste artigo.
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*Cleverson Domingos – Professor da SEDF 


[artigo] Por uma política de estado para seleção e formação de educadores

11/03/2013

“Quem educará os educadores?

A doutrina materialista da transformação das circunstância e da educação esquece que as circunstâncias têm de ser transformadas pelos homens e que o próprio educador tem de ser educado. (…) A coincidência da mudança das circunstâncias e da atividade humana ou autotransformação só pode ser tomada e racionalmente entendida como práxis revolucionária”. (1)

Por Mário Bispo dos Santos*

Recentemente, nesse espaço Washington Dourado nos lembrou que enquanto categoria “queremos avançar na melhoria do nosso plano de carreira, na valorização do processo de formação dos profissionais da Carreira do Magistério.” (2) Acredito que a referida valorização exige várias mudanças inclusive nos processos de seleção para professores e orientadores (concursos e seleções simplificadas para contrato temporário) Na elaboração do edital do último concurso, em 2010, o SINPRO teve um papel ativo no sentido de ampliar o cadastro reserva, garantir tratamento isonômico entre os concorrentes para área de artes, dentre outros aspectos. Agora, talvez seja o momento da diretoria de nossa entidade sindical conduzir um movimento para que os conteúdos cobrados nos concursos públicos e nos processos seletivos simplificados para contrato temporário sejam adequados no que diz respeito à seleção de profissionais de educação (professor e orientador).

Nessa perspectiva, é possível expor vários questionamentos em relação ao último concurso para professor, dentre os quais, o sentido da inclusão do objeto de avaliação direito administrativo com uma ênfase exagerada em processos legais em detrimento do item relativo ao próprio regime jurídico do servidores públicos. Outro questionamento plausível é relativo à prova de atualidades sem nenhuma questão concernente às atualidades educacionais.

Por outro lado, causa estranheza a ausência de provas discursivas e provas práticas em um concurso para professor. Tais provas hoje estão presentes em quase todos os concursos para docentes da educação básica, no âmbito federal (institutos), estadual e municipal. Vejam os editais dos concursos em andamento abertos pelo Instituto Federal de Goiás (3), Secretaria de Educação do Paraná (4) e Secretaria de Educação do Mato Grosso do Sul. (5)

No caso do DF, provas práticas somente são aplicadas para os cargos de professor de música e língua estrangeira. Mas, cabe indagar: e os candidatos aos cargos de professor de Sociologia, Filosofia, Artes, Matemática, Atividades, dentre outros, por quais razões não precisam comprovar a capacidade de expor um ponto de vista oralmente, de apresentar e executar um plano de aula?

É oportuno ainda indagar por que os pretendentes a uma vaga de professor não precisam demonstrar a capacidade de redigir seja um texto sobre sua área, seja um relatório sobre o desenvolvimento discente? No caso do concorrente ao cargo de orientador, por que não exigir a demonstração da habilidade (prevista nas normas da SEEDF) de redigir projetos que favoreçam o desenvolvimento pessoal e social do\a aluno\a”? (6) Será que uma prova objetiva de marcar X é suficiente para avaliar o domínio de tais capacidades? Causa estranheza ainda a ausência de conteúdos relativos aos temas, orientações pedagógicas e legislação da Secretaria de Educação. Por que não incluir itens referentes à proposta curricular das escolas públicas, ao regimento escolar ou mesmo, a discussão acumulada e sistematizada sobre semestralidade e ciclos? Não seria algo novo, inusitado, pois, na década de 90, a Escola Candanga constituiu objeto de avaliação de concursos públicos no DF.

Nessa perspectiva, salienta-se o caso das seleções para professores que irão atuar nas escolas técnicas. Por incrível que pareça não trazem conteúdos referentes à própria educação educacional, a sua história, os seus fundamentos, papel das novas tecnologias e da EaD. Tais conteúdos são cobrados nos concursos para as escolas técnicas federais .

CLIQUE AQUI  e leia a íntegra do artigo

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* Mário Bispo dos Santos é Doutorando em Sociologia pela UnB na área de Educação, Ciência e Tecnologia e Professor de Sociologia do CEM 02 de Ceilândia e do CEP – Escola Técnica de Ceilândia.

** Artigo escrito especialmente para este blog


[artigo] Cai Secretário de Educação e abre vaga de concurso*

09/03/2013

Por: Israel Ferreira dos Santos**

“Vivemos em um sistema que defende o mérito, a igualdade e as condições justas, mas exalta aqueles com riqueza, poder e celebridade; Não importando como os obtiveram.”.
                       Derrick A. Bell

Após a renúncia do Secretário de Educação atual que, num gesto de grandeza, declarou-se incapacitado de fazer frente aos enormes desafios de sua  pasta, abriu-se o edital para provimento de sua vaga. Agora é lei: haverá concurso  nacional para as Secretarias de Estado, possivelmente organizado pelo CESPE,  acabando assim com as (in)conveniências das indicações meramente políticas.

Os candidatos a Secretário de Educação (1 vaga), além de passarem por um  rigoroso exame escrito (Português, Legislação Educacional, Teorias Pedagógicas, Princípios de Liderança/Administração, etc.) e da prova de títulos, deverão comprovar ampla experiência em sala de aula, em níveis variados. A novidade não para por aí: depois do escrutínio pessoal, haverá uma seleção dos melhores projetos que deverão propor soluções factíveis aos problemas de todos os níveis de ensino. Ao vencedor… os abacaxis! Meticulosamente escascados, de forma competente.

Essa quimera política bem que poderia estender-se da esfera municipal, passando pela estadual até a federal. Isso porque, senhores, só na Esplanada dos Ministérios há mais de 20.000 cargos de confiança! Funciona mais ou menos assim: toma-se um sujeito despreparado, mas que tem uma boa “network” política (eufemismo para puxa-saquismo) e coloca-o para (des) mandar nos técnico-profissionais concursados. Quando tudo vai bem, ele leva a fama. Quando vai mal, a culpa é dos subordinados.

Isso me faz lembrar daquela parábola de um homem navegando com seu balão, por um lugar ermo e desconhecido. Ele estava completamente perdido, e qual grande foi sua surpresa quando encontrou uma pessoa… Ao reduzir um pouco a altitude do balão, em uma distância de 10m aproximadamente, ele gritou para a pessoa:

-Hei, você aí, aonde estou? E então a jovem respondeu:

- Você está num balão a 10m de altura!
Então o homem fez outra pergunta:
-Você é professora, não é?
- Sim… puxa! Como o senhor adivinhou?
E o homem:
-É simples, você me deu uma resposta tecnicamente correta, mas que não me serve para nada!

CLIQUE AQUI e leia íntegra do texto

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* Texto enviado especialmente para este blog

** Israel F. dos Santos é Professor da SEEDF, Mestre em Teologia do NT (FTCB), Especialista em História Social da Amazônia (UA), Bacharel em História (UnB), portador do Diploma Superior de Español como Lengua Extranjera (Universidad de Salamanca) e Graduado no Advanced Leadership Seminar do Haggai Institute (EUA).


Relato de pai: uma escola pública boa de luta!

01/03/2013

Hoje foi minha estreia numa reunião de escola pública do DF, não como professor ou sindicalista, mas na condição de pai de aluno.

Ao chegar a diretora já tinha começado a reunião, mas sua expressão de orgulho estava estampada na sua cara. E seu orgulho tinha motivo: é que depois de muitos anos de “luta”, finalmente chegara o momento da primeira reunião com os pais na escolha novinha em folha.

Nos primeiros minutos do encontro a palavra que mais ouvi da boca da diretora foi “luta”. “Luta” pela reconstrução do prédio anterior que caia pedaços, “luta” pela conclusão da obra, “luta” pela mobilização da comunidade, “luta” para manter a boa qualidade do trabalho pedagógico enquanto a nova escola estava em construção e por aí vai. E a cada fato relembrado pela diretora eu via pais e mães fazendo sinal de positivo, concordando e comemorando cada frase.

A apresentação dos objetivos pedagógicos me impressionou absolutamente. Ao invés de estimular a competição individualista, a escola pretende formar um cidadão colaborativo, participativo, consciente dos seus deveres e direitos. No quesito funcionamento da escola não vi muitas diferenças em relação às exigências de qualquer escola privada: tudo anotado na agenda do aluno, hora certa para entrar e sair, bastante destaque para a disciplina dos alunos.

As atividades complementares que estão sendo implantadas ou planejadas deixarão a escola em um patamar elevado de qualidade. Já o grupo de professoras, apresentadas de forma efusiva, tem a experiência pedagógica que 80% das escolas particulares jamais terão.

Ao terminar a reunião no auditório, no trajeto até a sala de aula onde teríamos a oportunidade de conversar com a professora da turma, encontro um grupo de mães relatando com satisfação vários momentos em que participaram da “luta” pela reconstrução da escola.

Ao chegar na sala do 4º ano, eu e os outros pais e mães encontramos uma professora com 33 anos de magistério, orgulhosa de vários casos de sucesso de ex-alunos e afirmando que nem pensa em se aposentar. E mais uma vez ouvi um testemunho de muita alegria por ter participado da “luta” pela reconstrução da escola.

Para completar um pai que estava ao meu lado ainda relatou o caso da filha dele que entrou em defesa do professor no ano passado, uma vez que este estava sendo pressionado por ter cobrando dos alunos do ensino médio de uma escola de Taguatinga o estudo de conteúdo além dos previstos no programa da escola. Enquanto isso uma mãe se emocionou ao informar que também tirou a filha de uma escola particular para colocar naquela instituição de ensino.

Bem, ao final da reunião saí de lá com outra visão sobre o ensino público. Vi que na escola pública em que todos se envolvem na “luta” pela qualidade, independente do prédio onde funciona, é possível sim criar um ambiente de grande satisfação e qualidade no ensino. E se houver união entre todos os segmentos da comunidade escola, é possível sim pressionar o Governo e conquistar melhores condições de ensino e de aprendizagem.

Por fim, reconheço que posso ter sido contagiado pelo otimismo expressado pela diretora da escola em sua apresentação, mas quem sabe este não seja o caminho para revertermos o pessimismo que atinge boa parte da sociedade sobre o ensino público?

No final só lamentei por não ter chegado a tempo de participar da “luta” pela reconstrução da escola. Porém, já me alistei junto à direção da escola para os próximos embates. E para fechar o dia, minha esposa ainda saiu muito satisfeita da reunião na escola pública onde minha filha estuda, mas isso merece outro texto.

http://ec19tag.blogspot.com.br/

É isso!

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Washington Dourado


[artigo] Era dos Extremos: da Palmatória à Alunocracia*

23/02/2013

Por Israel Ferreira dos Santos**

A Educação visa melhorar a natureza do homem, o que nem sempre é aceito pelo interessado.

Houve uma época no Brasil, de dolorosa memória, na qual o Professor lançava mão de castigos físicos (palmatória) para impor o aprendizado. Hoje, o pêndulo autoritário moveu-se para o outro extremo: são os alunos que ditam o que (não) querem aprender. Uma silenciosa e devastadora inversão de papéis e valores está em curso deteriorando, cada vez mais, a já combalida educação pátria.

O fenômeno, de escala nacional, perpassa indistintamente tanto a escola privada quanto a pública, indo do ensino primário ao universitário (nas faculdades caça-níqueis), salvo honrosas exceções. Hoje só se fala em direitos, onde antes se viam deveres, fazendo dessa era dos extremos também uma era (apenas) de direitos. Essa realidade pode ser resumida, de forma ao mesmo tempo simples e assombrosa: os alunos em geral rechaçam o dever mínimo de estudar para aprender. O que importa é passar, obter um diploma, sem significativos esforços intelectuais. Bane-se a meritocracia e instala-se, de maneira ditatorial, a alunocracia. O resultado visível é uma grande massa de alunos (de)formados, com seus lustrosos diplomas, mas analfabetos.

Grande parte dessa situação deve-se às concepções da moda sobre avaliação. Pedagogos de gabinete, que possuem ojeriza ao penoso trabalho em sala de aula, preconizam que “a avaliação não pode ser punitiva”. Ora, a verdadeira avaliação sempre foi punitiva. Ela pune, por exemplo, a preguiça, em um concurso, daqueles que não se deram ao árduo trabalho de investir horas a fio destrinchando conceitos abstratos. Pois estudar, há que se esclarecer, é também trabalhar, e com muito afinco. Por muito tempo, os altos índices de reprovação alarmaram os gestores públicos, com toda a razão. Entretanto, novamente o pêndulo foi para a outra ponta, nessa era de extremos: como alternativa à reprovação, optou-se pela aprovação automática (travestida em várias formas) – com um agravante – antes o reprovado sabia que estava mal, hoje o aprovado tem a ilusão de estar muito bem. Foi o que aconteceu, por exemplo, em São Paulo onde os sucessivos governos do PSDB, ao adotarem tal política, transformaram a educação pública do mais rico estado da federação numa pobreza pedagógica sem precedentes. Chegam a oferecer bônu$ aos professores para não “reterem os alunos”, dividindo e comprando a categoria.

No DF, durante o corrupto (des) governo Arruda do DEM, tentou-se importar, com relativo sucesso, essa “revolução educacional” alcunhada de gestão de resultados. Agora o ineficiente governo do PT procura trocar “seis por meia dúzia” implantando e impondo o sistema de ciclos e semestralidade já em 2013 na contramão das declarações, à Folha de São Paulo, do próprio Ministro da Educação: “O que acontece na aprovação automática? Você finge que não reprovou, mas a vida vai reprovar…Se ele não sabe ler e escrever, o que é que ele vai aprender nos ciclos? Que disciplina ele vai aprender? Quando ele chega lá no final do ciclo, aí ele descobre que não sabe nada”.1 O cálculo político é simplista: melhoram-se os índices educacionais para efeitos propagandísticos, ao aprovar todo mundo, ao invés de atacar os problemas estruturais pela raiz. É como querer curar uma metástase com aspirina. É aquela velha história que tenta culpar o termômetro pela febre do paciente.

CLIQUE AQUI e leia a íntegra deste artigo

*A primeira versão foi escrita em Dezembro de 2012.

* * Israel F. dos Santos é Mestre em Teologia do NT (FTCB), Especialista em História Social da Amazônia (UA), Licenciado em História (UnB), Graduado Internacional pelo Haggai Institute (EUA) e Professor “sobrevivente” da SEEDF, com 29 turmas em Santa Maria-DF.

*** Texto enviado especialmente para este blog


[fala visitante] Está nas mãos das escolas

17/02/2013

Por: Marcela*

Na minha escola pela votação deu semestralidade. Pontos positivos a meu ver: maior número de aulas semanais e com isso maior contato com o aluno; menor número de disciplinas por semestre; as matérias das áreas de exatas que é o calcanhar de Aquiles da maioria dos alunos estarão distribuídas nos dois semestres e, portanto aquelas que eles consideram menos importantes serão mais relevantes; A disciplina de Espanhol terá duas aulas e não uma simples como era e isso beneficiará os alunos; matemática -os professores queriam uma aula a mais – ela vem como matemática financeira ;professores de redação que tinham grade fechada ,neste sistema conseguirão ter mais tempo para a correção das mesmas;mais conteúdo durante a semana não é garantia de maior aprendizagem ,mas quando ele acontece em tempo bem mais próximo ,os alunos tendem a deixar de perder o fio da meada e esquecer como sempre acontece.

Pontos negativos: é uma semestralidade dentro de um sistema anual, ou seja, aprovação e reprovação só ao final do ano; salas muito cheias quando a promessa eram 35 alunos por sala; proposta curricular ainda bimestral – anual quando deveria ser semestral; sistema de avaliação facilitadora em aprovar o aluno mesmo sem méritos; secretarias escolares sem qualquer modificação ainda para preenchimentos das fichas individuais dos alunos e diários.

Sobre o argumento que os alunos esquecerão a matéria, pois não irão tê-la até o final do ano letivo é história da carochinha, pois os alunos veem conteúdos bimestralmente.Por exemplo :se ele estuda no 1º ano em Língua Portuguesa o Quinhentismo no 1º Bimestre,acabou.Ele não vai ficar revendo este conteúdo o ano inteiro e tampouco será cobrado durante as avaliações.ENEM cobra conteúdos vistos durante a vida acadêmica e às vezes cobra-se algum que o aluno só viu na 6ª série!!!Sobre o PAS realmente é problemático e precisa-se pensar sobre o assunto, mas de antemão já digo o que acontece na minha escola: 1ª etapa pouquíssimos alunos querem participar, 2ª ainda estão fazendo corpo ruim, 3ª?Uma minoria absoluta e sabem por quê?Para fazer boas provas do PAS o aluno tem que estar disposto a estudar muito dentro e fora da escola e isso, muitos não querem.

Sou adepta às boas mudanças. A Educação vem capengando há anos. Eu não queria uma mudança feita à revelia, sem o consentimento da categoria, sem uma boa discussão com os alunos e a comunidade, mas a gente sabe também que algumas vezes temos que agir rapidamente diante de uma oportunidade que pelo que é apresentado parece ser uma boa proposta. No nosso caso nos foi apresentado no início do segundo semestre de 2012 e apenas para o Noturno. Penso que é um risco sim a aceitação da mesma e pode ser que ano que vem ninguém queira mesmo este sistema chamado semestralidade. Entretanto se temos oportunidade de experimentar e verificarmos por nós mesmos por que não?”Pió que tá num vai ficá”.Ano que vem saberemos se este é o caminho com os resultados alcançados.Ou se teremos que gritar com todas as forças :Semestralidade não!

* Marcela Cristiane da Silva, Professora do CEM 304 de Samambaia

**Artigo escrito especialmente para o blog


Da seriação para os ciclos: trocar seis por meia dúzia ou de fato avançar na educação?

20/01/2013

Por: Luiz Eduardo Mendes Batista*

Sou recém-empossado do concurso para professores efetivos do DF. Fiz essa escolha, mesmo sabendo que poderia ser chamado em outro concurso para ocupar o mesmo tipo de cargo realizado em meu estado, Minas Gerais. Minha opção não foi aleatória. O motivo que me levou a fazer uma mudança radical de “endereço” tem a ver, dentre outros motivos, com as possibilidades que são dadas aos professores de construírem argumentos e ideias que corroborem com a educação. Inclusive, para quem não sabe ainda, o DF é afamado lá fora por constituir uma classe de docentes que, de fato, lutam pela educação e se esforçam por tentarem sempre inovar no campo do ensino.

Sobre essa última fama, recentemente tem se discutido (aliás, me parece que a tendência está mais para imposição que para discussão e debate) sobre a implantação da estrutura de trabalho pedagógico por meio de ciclos de aprendizagem (e de semestralidade). As convicções postas pelo atual Secretário de Educação, também professor, são até saudáveis, pois apontam uma possível solução para os sérios problemas da evasão escolar, de repetência excessiva, dentre outros. A meu ver, o problema está no como o Secretário e seus “auxiliares” têm colocado as coisas. Só para apontar uma dessas colocações, um trabalho por meio de ciclos no ensino fundamental II, por exemplo, permitiria que o aluno estudasse por um período maior (2 ou 3 anos, por exemplo) sem correr o risco de ser reprovado em apenas um ano, como ocorre no sistema de seriação. E daí?

Problematizando…

E daí que é bem interessante a proposta, mas não há detalhamento no modo como as coisas devem/ podem ser trabalhadas; não se detalham métodos nem estratégias efetivas. Afinal, adianta aumentar o tempo em que o aluno permanece estudando sem ser reprovado, se o professor continua ensinando a conjugação verbal em seu modo mais arcaico e tira ponto ou diminui o conceito caso ele não sabe que o “certo” é “caibo” e não “cabo”? O fato é que o aluno vai demorar dois anos ou três para ser reprovado, mas… e depois desse tempo?

CLIQUE aqui e leia a íntegra do artigo

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* Luiz Eduardo Mendes Batista, professor efetivo de Língua Portuguesa da Secretaria de Educação do DF e Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Uberlândia.

** Artigo escrito especialmente para este blog


Será que pais, alunos, professores não tem contribuições a dar! a adoção de ciclos e semestralidade no educação do DF

17/01/2013

Por: Remi Castioni

Dentre os muitos ensinamentos que o campo da educação toma emprestado de outras áreas do conhecimento, um em particular, é apropriado para entender as recentes medidas proclamadas pela Secretaria de Educação do Distrito Federal. Falo particularmente do conceito de “burocracia do nível de rua”. Esse termo foi cunhado por Michael Lipsky, em 1980, quando atuava na cadeira de ciência política da prestigiada MIT – Massachusetts Institute of Technology. Seus ensinamentos são hoje leitura obrigatória na formação da burocracia do estado brasileiro e matéria recorrente em concursos públicos, que exigem esse tipo de formação.

O conceito de “burocracia do nível de rua”, criado pelo autor diz respeito a servidores públicos que agem diretamente com cidadãos. Entrariam nessa classificação os professores, policiais e assistentes sociais, entre outros. A formulação clássica de burocracia weberiana não levava em consideração os servidores que atuavam na ponta de qualquer sistema e para tanto, os burocratas seriam meros formuladores que não pertenceriam a um serviço público de massas. Ao longo do tempo admitiu-se que aqueles que atuam na prestação direta dos serviços não seriam meros implementadores de políticas, mas teriam papel importante na discricionariedade, que pode alterar em muito os desejos proclamados pela alta burocracia.

Na implementação de políticas públicas o conceito de “burocracia do nível de rua” tornou-se fundamental para entender porque algumas políticas dão certo e outras não. Essa análise recai sobre o importante papel que esses servidores desempenham ao mediar essa relação entre o Estado e o cidadão, recaindo sobre eles o bônus e o ônus no atendimento.

Introduzo esse panorama apenas para situar a surpreendente decisão da Secretaria de Educação de adotar a política de ciclos e semestralidade. A desconfiança gerada por quem atua diretamente na ponta do sistema, os professores, e aqueles que se beneficiam da prestação, os alunos e os pais, que tem filhos na escola pública, são importantes atores que podem comprometer a execução dessa iniciativa.

Mudanças emanadas da alta burocracia não são uma novidade e nem deixarão de existir. A questão na política é como diminuir as chances do insucesso por mais razoáveis que sejam os argumentos. Particularmente na educação estamos experimentados em medidas com essas características. Tomemos o caso, que nos parece mais elucidativo, o ensino médio. O Parecer n. 15/1998, elaborado pelo Conselho Nacional de Educação durante o governo FHC e que tinha o objetivo de criar uma nova concepção de ensino
médio que acabara de ser consagrado pela Constituição de 1988, como última etapa da educação básica, criou o conceito de “estética da sensibilidade”. Entretanto, isso não conseguiu se traduzir em algo inovador e sequer se incorporou nos Parâmetros Curriculares Nacionais e, portanto, não chegou às salas de aula do ensino médio, pelo simples fato que os professores não foram envolvidos para implementar uma nova concepção de abordagem curricular.

São muitos os estudos que mostram que não basta que as intenções sejam consistentes é preciso que elas angariem apoio para sua execução. Nesse particular, a adoção da semestralidade do ensino médio nasce com enorme resistência há menos de 20 dias do início do ano letivo de 2013.

Além de questões conceituais na adoção da semestralidade há aspectos operacionais que não foram suficientemente esclarecidos para a gestão do processo pedagógico nas escolas. Uma questão simples, por exemplo, como lidar com a matrícula dos alunos por disciplinas nas escolas. Isso muda radicalmente a otimização do trabalho. Isso sem falar no aspecto metodológico. Mudar a cultura de uma organização passa por convencer quem é parte dela e nesse aspecto parece-nos que os gestores atuais consideraram que isso é relativizado pelo sucesso que a medida pode trazer.

As contribuições que as pesquisas no campo da implementação de políticas já nos proporcionaram revelam que quanto mais distante estiver a decisão de mudar do objeto a ser modificado, as chances de ficar como está são muito elevadas. Ou seja, se essa mudança não passar por um processo de convencimento dos reais operadores das ações proclamadas, as chances do insucesso serão muito grandes. Como uma teoria está sempre à prova pode ser que seja o momento. Será?

* Remi Castioni é professor-pesquisador FE/UnB

** Texto escrito especialmente para este blog


REFLEXÕES SOBRE AS POLÍTICAS DE CICLOS NO BRASIL

15/01/2013

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Sugiro a todos e todas que desejam participar do debate sobre ciclos de aprendizagem que leiam este artigo no link aí.

É muito importante!

Clique no link e leia o artigo: REFLEXÕES SOBRE AS POLÍTICAS DE CICLOS NO BRASIL 

Autoras: ELBA SIQUEIRA DE SÁ BARRETTO Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundação Carlos Chagas e SANDRA ZÁKIA SOUSA Faculdade de Educação de Universidade de São Paulo.

Quem tiver outras sugestões de leitura é só enviar!

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Washington Dourado


O enfraquecimento da Gestão Democrática

10/12/2012

Um dos projetos mais alardeados pelo atual Governo na área da Educação foi o da Gestão Democrática. Após quase um ano debatendo a proposta, finalmente foi aprovada na Câmara Legislativa e está em processo de implantação. Entretanto, a impressão é que a própria Secretaria de Educação está boicotando o projeto. Alguns exemplos:

1 – Até o momento os problemas do repasse dos recursos do PDAF não foram completamente resolvidos. Muitos dos novos diretores de escola estão se deparando com problemas que deveriam ter sidos resolvidos anteriormente.

2 – O sentimento geral da categoria é de que o projeto de ciclos de aprendizagem está sendo imposto, sem espaço para construção de um diálogo sobre a proposta e suas consequências para os alunos e os próprios profissionais.

E não adianta dizer que o projeto está sendo debatido nas CREs. Na verdade, até o momento só aconteceram apresentações de alguns parâmetros do que seria a proposta do Governo. Na maioria da cidades os professores sequer conseguiram fazer perguntas diretamente, muito menos fazer uma avaliação sobre o que foi apresentado.

Já o Sinpro só foi informada há uma semana, depois que a imprensa começou a veicular matérias sobre o projeto e as críticas de que nada foi discutido com a categoria começou a tomar grande proporções.

Estes  são alguns dos exemplos de atitudes do comando da SEDF que enfraquecem a proposta de Gestão Democrática. Afinal, que tipo de gestão democrática é essa que não resolve a questão do repasse dos recursos? Que democracia é esta que impõe uma mudança tão profunda na Rede Pública de Ensino sem ao menos ouvir a opinião da categoria?

Estas e outras perguntas são ouvidas constantemente nas escolas.

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Washington Dourado


[artigo] Quem tem medo de semestralidade?

04/12/2012

POR: João Thiago*

Um espectro ronda a Rede Pública de Ensino. É a chamada semestralidade. Há muita gente com medo de algo que nem se conhece ainda. Não acredito que com a passagem de “anuidade” para “semestralidade” os professores passarão a dar aulas diferentes do procedimento que habitualmente adotam. Observei no Blog do Washington Dourado que alguns professores reclamam que vão perder o “Poder de Reprovar” os alunos e que, portanto, perderão a sua autoridade em sala de aula. Sinceramente, um professor que fundamenta a sua “autoridade” em sala de aula a partir da quantidade de alunos que reprova deixou de ser professor há muito tempo.

Uma coisa é o desagrado com a política salarial do atual Governo. Outra coisa é o discernimento a respeito das medidas que o Estado adota. Não se pode confundir Governo com Estado e ficar de birra com as medidas que os gestores adotam. Logo os professores (que deveriam ser agentes de mudança) apresentam resistência exagerada às inovações pedagógicas que sequer lhes retira algum direito fundamental.
Alguns podem até ter razão em dizer que as medidas foram empurradas “goela abaixo”, visto que o discurso de quem comanda a pasta de Educação corroborava com uma ideia contrária. Entretanto, eu creio firmemente que não é possível que um Governo democraticamente constituído tenha que ficar com um “assembleísmo” perguntando o tempo todo às categorias o que fazer. O executivo tem mais é de agir mesmo e tomar as medidas adequadas que resolvam os problemas mais urgentes.
Uma coisa é fato: os índices de reprovação e evasão escolar nas escolas públicas são exagerados. Se a semestralidade de certa forma pode minimizar tais efeitos, com certeza será muito bem vinda.
*Professor da SEDF 

[ARTIGO] Escolas públicas do DF: entre o abandono e a mídia elitista

25/11/2012

Por: Cristino Cesário Rocha*

Caríssimos (as) não dá para ficar calado (a) diante do fogo cruzado experimentado pelas escolas públicas do Distrito Federal. É preciso examinar se a mídia elitista não está aproveitando do abandono das escolas públicas do DF para alardear e enaltecer as escolas privadas. Importante também aprofundar o debate junto à Secretaria de Estado de Educação do DF, com a comunidade escolar e com Agnelo Queiroz em que medida o resultado tem a ver com a maneira como se governa. Ainda nessa perspectiva, cabe montar uma estratégia de avaliação da escola pública do DF não apenas do ponto de vista numérico, mas em todas as dimensões. Resultado de provas é desumano quando não se vê o conjunto das relações.

Posto essas considerações, gostaria de tecer algumas impressões sobre o alarde de que a “escola privada seja a melhor”, bem como sobre o silêncio da SEDF e de outros segmentos sobre o que considero fogo cruzado entre a mídia elitista e o abandono. Esse posicionamento tem a intenção de provocar ao debate e promover mudanças.
Penso que não se pode negar o fato de que as escolas públicas do Distrito Federal tenham padecido de um desprezo crônico. Não é hiperbólico dizer que as escolas públicas do DF estão na UTI desde o seu nascimento, tendo muitas pessoas e instituições que em vez de oxigená-la, aplica-se a eutanásia sem pudor. As exceções são aquelas que não são divulgadas porque não é interesse da grande mídia divulgar resultados exitosos de escolas públicas. Sempre houve um conchavo entre a Mídia elitista e lideranças políticas descomprometidas com a educação pública. Pode-se dizer sem medo de errar que abandono=fracasso=mídia elitista=interesse dominante. Quem sai perdendo com essa soma? Não tenho dúvidas: é a comunidade escolar que necessita do serviço público.

Pois bem, ao entender que a escola pública está situada em um fogo cruzado, há que considerar possíveis causas. Atribuo ao fogo cruzado a defesa de interesse. Parece pouco apenas uma causa. Há desdobramentos dessa causa, e cada pessoa ou grupo social pode identificar dezenas de causas de acordo com o alcance de cada consciência.

Bem sabemos que não é de hoje que a grande mídia ataca empobrecidos, homossexuais, mulheres, negros (as), a educação pública e outros valores. Ao veicular uma notícia o faz com corte ideológico do ponto de vista do dominante e quando convêm, divulga o que interessa aos governantes. Vejo um governo paralelo que cabe uma pergunta: quem de fato governa?

A recente divulgação do resultado do ENEM, evidenciando a escola privada como a de melhor qualidade, cabem algumas perguntas: de qual qualidade está falando? Qual o senso de justiça se tem ao fazer comparações entre uma escola pública e uma escola privada? O que se considera das escolas, sejam públicas ou privadas ao noticiar resultados?

CLIQUE AQUI e leia a íntegra do artigo


FICHA LIMPA PARA DOCENTES NÃO É SOLUÇÃO

02/10/2012

Por Cristino Cesário Rocha*

O episódio que ocorreu no DF, em que um docente foi preso por usar droga com estudantes não pode ser assumido como instrumento punitivo. Creio ser importante atuar com um olhar mais amplo diante do fato e o nada consta criminal pode ser falho em se tratando de crimes dos mais diversos que possam ocorrer e das possibilidades que são criadas ou não para a reorientação, ressocialização e recuperação do sujeito. É preciso em primeiro lugar nos perguntar: Em qual lugar me encontro? É importante lembrar que o docente contrato temporário já é estigmatizado como “sem posicionamento”, “sem compromisso” e “sem força política” e outras expressões estereotipadas que pouco ajudam na construção da vida. Vejo que exigir que se apresente Nada Consta Criminal pode configurar um “tiro de misericórdia”.

A ficha limpa é um recurso importante para trazer à baila a importância do senso moral, da ação em conformidade com a lei, com os costumes esperados pela coletividade e pode imprimir uma nova feição da ética das normas no âmbito do serviço público. No entanto não se pode pensar estreitamente que a canetada de uma Ficha Limpa possa solucionar problemas mais amplos e cruciais de nosso tempo: a separação entre Ética, Política e Cultura.

Se por um lado o docente deve responder por seu ato, não restringindo a nenhuma forma, é verdade também quem é preciso que haja meio para a reabilitação do mesmo em qualquer situação. Isso vale para todos os profissionais da educação. Não basta criar meios para inibirem a inserção no serviço público ou privado, mas traçar metas de ação que reabilite o sujeito que está em situação de criminalidade ou em situação que não ajuda em sua atuação como profissional concursado ou temporário. Ficha limpa nesse contexto pode expressar mais uma exclusão antecipada do que uma solução que antecipa o crime.

Um fato curioso é que pouco se fala de profissionais da educação e de outros setores que estão submersos no alcoolismo, situação que precisa ser trabalhada em termos de ação preventiva e de recuperação. Penso que ao lavar uma criança suja não se joga fora a criança, mas a água suja. Não se joga fora nem a bacia, muito menos o rebento que veio ao mundo fruto de um desejo, seja qual for o desejo. Essa percepção vale também para docentes que se encontram no mundo da dependência química: Ficha criminal não é solução, mas impedimento de uma nova possibilidade. Imaginemos por exemplo se todas as empresas privadas e rede pública resolvessem barrar um ex-dentento que busca emprego? O preconceito atrelado ao jugo da lei pode dificultar a melhoria da qualidade de vida e ao mesmo tempo reforçar a fábrica do crime.
Penso que o ponto de vista da lei nem sempre é humanitário. É mais fácil evidenciar o passado como pendência e castigo do que criar alternativas de novas possibilidades de sociabilidade e de humanização. Uma coisa é preciso ter em mente: não se salva uma vida empurrando-a para o abismo.

Por outro lado, ficha limpa para docentes do ponto de vista criminal, tomando por base apenas um fato não é solução para um Brasil que vive a chaga do narcotráfico, do esquadrão da morte e do tráfico de toda ordem. Penso que o governador deveria pensar grande e com visão de conjunto no sentido de se estabelecer parcerias para combater o tráfico, o narcotráfico, o esquadrão da morte e a indecência na política. Ademais, deve-se pensar em políticas públicas de combate e prevenção a todo tipo de drogas que não é apenas química, mas também de ordem político-econômica. Investir na educação pode ser um dos caminhos, mas é preciso ousadia, vontade, ação e decência de quem cuida da “coisa pública”.

*Cristino C. Rocha é docente da rede pública de ensino do DF.


“Houve uma vez um verão pedagógico, Samambaia, 1998 – Com Carlos Mota”

16/09/2012

O texto e o vídeo abaixo foram enviados pelo professor Mário Bispo e resgata um pouco do trabalho do professor Carlo Mota, que no dia 12 de setembro completaria 49 anos. Entretanto, o texto e o vídeo também resgata um pouco do espírito da equipe pedagógica da SEDF naquele momento, responsável pela elaboração e implantação de ideias inovadoras e identificadas com a luta popular, algo escasso de hoje em dia. Entre 95 e 98 nossa categoria teve muitos momentos de embates com o Governo, mas e inegável que as iniciativas pedagógicas empolgavam, mobilizavam e apontavam para a construção de algo novo.

WD

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 “Houve uma vez um verão pedagógico, Samambaia, 1998  - Com Carlos Mota”

Por: Mário Bispo

Na segunda metade da década de 90, na rede pública de ensino do Distrito Federal, vivíamos a experiência da Escola Candanga, projeto pedagógico do Governo Democrático e Popular liderado por Cristovam Buarque. Na Regional de Samambaia, tive o privilégio de estar à frente da equipe responsável por coordenar a implementação daquele projeto: a SCP (Seção de Coordenação Pedagógica) A SCP era composta de profissionais dedicados, intuitivos e inspirados na frase de Jean Cocteau (“não sabendo que era impossível, foi lá e fez”) eram capazes de proposições surpreendentes, aparentemente inexequíveis, como por exemplo, a reunião, durante o verão de 1998, dos mais de quatrocentos professores de Samambaia recém contratados sem direito às férias. Eles participariam de oficinas, debates e palestras sobre coordenação pedagógica, interdisciplinaridade, Escola Candanga.

Dorcas de Castro, a diretora da regional, concordou com a proposta do evento cuja coordenação geral ficaria sob a responsabilidade da articuladora e chefe substituta da SCP Celina Gonçalves, pois, eu entraria de férias. Mas, ela não estaria sozinha, na realidade, lideraria uma equipe única, fantástica constituída por coordenadores como Rogério, Noelma, Paulo Geovani, Keila, Moises, Ubiratan e ainda contaria com o apoio de alguns professores requisitados das escolas na organização do evento.

 Hoje, treze verões depois, “o futuro não é mais como era antigamente” (Renato Russo),. nós vivemos numa época marcada pelo pragmatismo, pela ausência de um projeto educacional, pela visão reducionista da função política da escola. Uma época, na qual, se pode afirmar, parafraseando Bertold Brech, que falar sobre pedagogia, didática e planejamento se tornou “quase um crime”. Por isso, é importante utilizarmos as redes sociais para lembrar que, na cidade de Samambaia, em 1998, houve uma vez um verão pedagógico.

 Porém, com essa série de dez vídeos, mais que suscitar comparações, se busca provocar recordações. Recordação significa em latim, “de novo ao coração”, então, queremos trazer de volta aos corações, palavras, imagens e gestos de profissionais como Sirlene Queiróz, Maria Luiza Angelim, Patrícia, Francisco José (Mano), Cleyton Gontijo, Kátia Cristina, Marisa, Cintia e o saudoso: CARLOS RAMOS MOTA!

ATUALIZAÇÃO: Comentário enviado ao blog pelo professor Antonio Ibañez Ruiz:

“A Escola Candanga marcou um período na Educação do DF. Meus parabéns a todos os profissionais que se envolveram naquele sonho – realidade, que alimentou suas mentes ávidas por conhecimento.
O Departamento de Pedagogia e, em especial o prof. Carlos Motta merecem essa homenagem.
Obrigado pela lembrança do período.”


É preciso repensar a Escola

10/08/2012

Luli Radfahrer*

 

O modelo escolar está em crise. A estrutura monolítica criada para satisfazer às demandas de uma economia industrial se tornou obsoleta e hoje se debate para permanecer ativa e relevante em um contexto social que, embora valorize a Educação como direito e patrimônio, não suporta a ideia de aulas longas e monótonas nem vê muito valor em diplomas. A maioria dos professores está sobrecarregada, mal-remunerada e desmotivada, sem plano de carreira que valorize o aprendizado e a relação com a classe. Processos comerciais travestidos de “metodologias de ensino” padronizam disciplinas e avaliações, transformando muitas instituições em centros de adestramento, preparatórios para determinados exames ou necessidades operacionais do mercado.

Mesmo as instituições que apresentam bom desempenho em classificações tem uma enorme dificuldade em prender a atenção de seus alunos ou prepará-los para os desafios de um ambiente dinâmico, interativo e conectado. A educação em lotes que dirige mensagens entediantes, genéricas e repetitivas a massas de alunos é incapaz de vencer o conteúdo piscante e colorido de notebooks, tablets e dos onipresentes celulares. Não há biblioteca mais conectada e abrangente do que o Google, nem educador que saiba mais do que está na rede.

E nem é preciso haver. A ideia de um professor sabe-tudo, que traz o conhecimento pronto e empacotado para o aluno (do Latim, aquele “sem luz”) é uma distorção surgida com a Revolução Industrial. Antes dela, e em qualquer sociedade primitiva que nunca tenha visto uma sala de aula, o que sempre houve foi um ensino individualizado, focado na resolução de problemas. Cabia ao aprendiz a identificação de novidades e crises, trazidas para consideração de seus mestres, em um processo contínuo de crescimento e avaliação mútuos.

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[artigo] O FIM DOS DIRETORES DE ESCOLAS PÚBLICAS

18/06/2012

Por: Prof. Eminázon S. Martins – SEDF 

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Normalmente nos deparamos nas escolas públicas com professores,  que são indicados ou eleitos para ocupar a nobre e sofrida função de Diretor de Escola. Nobre devido a responsabilidade de cuidar  do futuro de centenas e até milhares de crianças e adolescentes e resolver problemas complexos no dia-a-a dia de uma escola.  Sofrida devido ao  baixo valor da gratificação e, muitas vezes, pela falta de apoio de professores,  das regionais de ensino e da própria Secretaria de Educação.

O que me deixa perplexo é a forma como são selecionados. Na maioria das vezes são nomeados não pela competência técnica, mas porque não tem outras pessoas interessadas. Entra em ação a velha frase “será você mesmo(a),  não tem ninguém; se não vem alguém de fora da escola”, resumindo “quem não tem cão, caça com gato”.

Alguns até com boas intenções, mas não passam de meros cumpridores de portarias e circulares das Secretarias de Educação, ou simplesmente para “dar o tempo da sala de aula”.

Os problemas das escolas públicas são mais complexos do que imaginamos. Primeiro a verba que não chega. Diretores  tomando decisões radicais e até engraçadas para qualquer    “Gerente”  de Carrinho de Pipoca,  tais como:

.  Tem dois banheiros para quinhentos alunos, fecha um para economizar água.

.  O professor precisa fazer uma prova contextualizada que exige uma quantidade   maior de páginas. Não pode! Não tem papel,  nem tonner e nem funcionário para grampear. E o grampo? Muito menos.

.  Os alunos(as) que não tem uniforme para entrar na escola. Vamos fazer uma “vaquinha” para a compra de uniforme.

.  Professores sem compromisso com o processo de ensino e aprendizagem não podem ser devolvidos, pois são seus amigos e não tem substitutos. O Diretores tem medo de certas atitudes, é o famoso “ruim com ele, pior sem eles”.

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OBS:

1 – O conteúdo deste artigo é de inteira responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião deste blog

2 – O blog está à disposição de quem desejar publicar artigo sobre a Gestão Democrática


Professor@s: nossa luta apenas começou!

06/05/2012

08 de março, dia internacional de luta da mulher, não poderia ter sido outra data tão simbólica e marcante para ser o marco inicial de outra luta que ficará cravado na mente de tod@s que fazem parte dela. Acabou? Como? Não! Como é possível acabar uma caminhada que apenas deu o seu primeiro passo? A estrada é longa… há muitos caminhos no meio das pedras… Ainda não alcançamos com a vista o fim, contemplamos apenas o horizonte.

Em 2012, nós professores, cansamos de sentar e ouvir e resolvemos levantar e falar. Lutar e mostrar para toda sociedade a nossa força. Movidos pelo mais belo sentimento de um guerreiro a INDIGNAÇÃO. Esse sentimento, por diversas razões, foi manifestado de todas as formas: em palavras, gritos, gestos, atos, olhares e tudo o que estava ao nosso alcance… até mesmo o sexto andar de um certo palácio. Se permitirem vamos muito além disso!!!

Nossa indignação é contrária a todo poder que tenta nos dobrar, nos curvar, nos aniquilar. Repudiamos todo ato insano daqueles que se negaram a lutar . Não nos conformamos com toda mentira que a mídia tentou nos dizer. Rechaçamos toda mentira de oportunistas e repelimos todos aqueles que nos ofendiam com palavras grosseiras.

Que pena! Essas pessoas não estudaram o suficiente, não ouviram seus professores no passado, não entenderam a importância da Educação. Eles se negam a enxergar a realidade e se negam a entender o simples sentido da palavra LUTAR. Graças a nossa desobediência e ousadia de guerreiros crescemos e avançamos sem olhar para trás. Não ouvimos as palavras pessimistas, nem percebemos os gestos dos fracos porque a nossa vontade de lutar nos deixou surdos e enxergamos apenas a vitória. Mas quem disse que a luta acabou? Esse foi apenas nosso primeiro passo!

Nosso salário deve ser justo, mas não paga nossa dignidade. Essa dignidade que é retirada diariamente quando entramos na escola e percebemos que ela parece mais um presídio que uma escola, que as salas de aulas parecem gaiolas e os nossos alunos pássaros que não sabem mais voar e cantar. Nossa dignidade é retirada quando sofremos diversos tipos de violência (físicas, verbais, psicológicas) de alunos, pais, governos ou quando a sociedade, que só é construída graças ao professor, não o valoriza.

E por fim não temos dignidade quando tentam tirar nosso único instrumento de luta que é a nossa consciência e ainda tentam nos reduzir ao nada como pessoas perigosas. Deixemos florescer os melhores sentimentos que movem os guerreiros como a indignação, a persistência, a coragem, o desafio, a ousadia, a determinação, a dignidade, o desejo de mudar, vencer e principalmente a desobediência ao governo, tomando posse do nosso poder que é legítimo, assim, nenhum poder tirânico terá lugar. Sou professora de contrato temporário e não me intimidei diante das falácias do governo que sempre nos ameaçou com uma possível rescisão de contrato e nos amarrou com suas cordas de dominação, sendo que na realidade não passa de um desejo de poder ter mão-de-obra barata e escrava, bem dominada e obediente, além de tudo um tapa buraco para esconder o grande abismo em que se encontra o sistema de ensino público do DF. Se eles não nos respeitam, não merecem nossos aplausos! Graças a ousadia de muitos professores de contrato temporário eles não conseguiram deslegitimar a luta dos professores.

Nós somos professores e um contrato não degenera a nossa consciência. Lutei e resisti junto com @s guerreir@s que de alguma forma lutaram desafiando os limites do poder e os seus próprios limites. Ocupamos o Buriti e principalmente a vida e a mente das pessoas que levarão sempre em si que os professores de Brasília não fogem à luta e ainda estão prontos para toda a guerra que vem pela frente. “O que queremos, de fato, é que as ideias voltem a ser perigosas”

Aline Nóbrega – Professora de Filosofia em Santa Maria


Governo Agnelo ataca de forma imoral a greve das(os) professoras(es)

25/03/2012

1º – Durante a eleição Agnelo foi ao Sinpro pedir votos e firmou uma carta-compromisso com a categoria que previa entre outros pontos a reestruturação do plano de carreira;

2º – Já eleito, o Governo Agnelo assinou um acordo em 2011 assegurando a reestruturação do plano de carreira da categoria a partir do início deste ano de 2012;

3º – Já no final do ano passado o Governo Agnelo anunciou o rompimento do acordo;

4º – As professoras e professores, apesar de todas as tentativas de negociação, não foram atendidos e iniciam em greve;

5º – Então o Governo Agnelo justifica que não pode cumprir o acordo por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal;

6º – a partir daí o Sinpro explica claramente que o Governo Agnelo pode atender as reivindicações sem ferir a LRF, bastando apenas substituir o recurso do Tesouro local que é gasto na folha de pagamento pelos 285 milhões do FC que estão sendo usados para custeio na própria máquina administrativa da Secretaria de Educação;

7º – Com o argumento da LRF desqualificado, o Governo Agnelo publica uma nota na imprensa hoje, dia 25, que faz o mais IMORAL dos ataques à greve:

“O GDF quer explicar à população que a proposta do Sinpro implica em retirar recursos do auxílio-alimentação, do auxílio-creche e de custeio e investimento na segurança.” 

8º – Esta afirmação do Governo Agnelo é IMORAL e MENTIROSA por quê:

- Os 285 milhões que estamos reivindicando já fazem parte do Orçamento da Educação, portanto, não implica em reduzir valor de auxílio-alimentação, auxílo-creche e principalmente do custeio e investimento na segurança.

- Estes itens relacionados pelo Governo Agnelo tem seu orçamento próprio e já previstos no Orçamento Geral e não fazem parte dos tais 285 milhões utilizados em custeio sim, mas da própria Educação;

- Aliás, retirar 285 milhões do Tesouro local gastos na folha de pessoal da Educação e substituir pelo mesmo valor mas com origem no Fundo Constitucional faz é ajudar na redução dos custos que são levados em conta na hora de calcular o limite da LRF. Isto é até mesmo uma forma de solucionar o problema que o GDF afirma ter neste momento.

9º – A nota do GDF tem um objetivo o IMORAL de jogar a categoria de professores contra a luta dos praças da Polícia e Bombeiros militares. Aliás, movimento que nós apoiamos integralmente por entender que professores e o pessoal da Polícia e Bombeiros sempre foram os mais esquecidos por todos os Governos.

10º – A nota de hoje é a prova absoluta de que o Governo Agnelo não respeita a Educação, não ao menos a dignidade de fazer um debate justo, honesto e transparente. É a prova de que estão no pode pelo poder, não para estabelecer um diálogo respeitoso com as trabalhadoras e trabalhadores.

Eu como militante do PT HISTÓRICO repudio totalmente esta forma de tratar o movimento de qualquer categoria, não apenas a que faço parte. Não é para isso que elegemos Governos. Entendo que o Governo Agnelo tem todo o direito de defender na mídia ou em qualquer lugar seus argumentos, suas ações. Mas repito: o conteúdo da nota publicada hoje é IMORAL!

Estas são as palavras de um dirigente sindical e militante partidário indignado com a FORMA como o atual GDF vem tratando a greve das professores e professores do DF.

Washington Dourado 

CLIQUE AQUI e veja a nota do GDF

CLIQUE AQUI e leia o texto que escrevi sobre os 285 milhões


GDF tem 285 milhões do FC no Orçamento da Educação que podem resolver a greve das(os) professoras(es)

24/03/2012

A justificativa do Governo Agnelo para não cumprir o acordo com as(os) professoras(es) firmado em 2011 é a suposta aproximação das despesas com pessoal do GDF do limite estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal. Acontece que este argumento é falacioso e demonstra a falta de prioridade da atual gestão com a Educação, pois se quisesse, o Governador Agnelo cumpriria com os itens do acordo sem problemas, como demonstro nos pontos a seguir:

1º – O inciso V, parágrafo 1º do artigo 19º da Lei de Responsabilidade Fiscal afirma expressamente que no DF as despesas com pessoal custeadas com recursos de repasses federais não entram na contabilidade para efeito do limite da LRF.

2º – Em 2012 o Orçamento prevê a aplicação de 2.178.144.711 do Fundo Constitucional na Educação. Desse valor, 87% será aplicado no pagamento da folha de pessoal e os outros 13% (285 milhões) serão utilizados para pagar “outras despesas correntes”.

3º- Como os recursos do Fundo Constitucional não são suficiente para pagar toda a folha de pessoal da Educação, o GDF complementa com recursos do Tesouro local. Então, a parte do Tesouro do próprio GDF que é utilizada no pagamento dos salários do pessoal da área de Educação é contabilizada para cumprimento dos critérios da LRF.

4º- Esta situação esdrúxula faz com que 285 milhões do FC que não entra na contabilidade da LRF sejam utilizados no custeio da máquina administrativa, enquanto isso recursos do Tesouro próprio do GDF, que são contatos na LRF, são utilizados para suprir o pagamento da folha de pessoal, aproximando ainda mais as contas do Governo do  limite da LRF.

5º- Por outro lado, esta situação permite ao Agnelo atender o que foi acordado com os professores em 2011 sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Basta o Governador  fazer uma troca: pegar os 285 milhões do FC utilizados no pagamento de despesas administrativas e repassar para o pagamento de pessoal; e transferir os recursos do Tesouro local que são investidos na folha de pessoal da Educação para cobrir as despesas administrativas.

Conclusão: Agnelo pode cumprir sua palavra e atender os professores, garantindo a normalidade do ano letivo sem se desgastar com a categoria e a sociedade. Com boa vontade política, o caminho para construir o atendimento da pauta da categoria pode ser construído rapidamente.

Mas infelizmente parece que o objetivo do Governador e sua equipe de “falcões” é derrotar as(os) professoras(es) e a própria Educação, mesmo com dinheiro em caixa. Não conseguirá porque vamos resistir e fazê-lo reconhecer o equívoco antes que tal intento se concretize.

Washington Dourado – Diretor do Sinpro


As professoras(es) demonstram a força da da luta! A greve está forte!

21/03/2012

Companheiras (os),

Não tem como não me emocionar ao escrever esta nota pois o que estamos vendo nos últimos dias é uma categoria unida e que cada vez mais vem demonstrando sua força nesta greve. Falo isso por que primeiro o Governo apostou que não seríamos capazes de fazer uma greve. Depois apostou que a greve seria furada no dia 14. Ontem apostou que a Assembleia seria esvaziada e hoje apostou que o refluxo do movimento seria grande. O Governo perdeu em todas suas previsões!

A greve foi decretada no dia 8 por ampla maioria. No dia 14 a adesão foi grande. No dia 15 a adesão aumentou. A Assembleia foi no mínimo maior que a primeira e hoje, em TODAS as cidades os relatos é que a greve cresceu!

Em todas as cidades os “piquetes” dobraram de tamanho. Em todas as cidades os relatos são de que escolas estão fechando a partir desta quarta-feira. Quanta emoção!

Que o Governo saiba que esta greve não pertence a ninguém. Este movimento é a expressão legítima de uma categoria indignada!

Exigimos o reajuste prometido!

Exigimos a solução do artigo 15 para evitar perda salarial!

Exigimos a incorporação da TIDEM para evitar a diminuição da nossa aposentadoria!

Exigimos a nomeação dos concursados!

Exigimos direitos trabalhistas decentes para os contratos temporários!

Exigimos o aumento de verba para o pedagógico e a infraestrutura das escolas!

Exigimos respeito e prioridade para a educação!

Força companheiras e companheiros! Nossa dignidade é maior que qualquer pressão de qualquer Governo. Nossa história foi feita com luta e será com luta que vamos mais vencer mais uma vez a intransigência deste o de qualquer Governo!

Washington Dourado – Diretor do Sinpro


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