Servidores públicos: a bola da vez!

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Com o Governo dos “pró-Estado” abatido e removido do poder, o alvo dos “pró-mercado” já está definido: os servidores públicos e seus supostos “privilégios”. Esta afirmação pode ser confirmada na leitura atenta dos jornais, revistas e portais da imprensa tradicional brasileira que nas últimas semanas vem publicando diversas matérias onde o pretexto é discutir a qualidade dos serviços públicos, produtividade dos servidores, o “déficit” da previdência do setor e tantos outros aspectos que, no final, a intenção é sempre desmoralizar o serviço público e os servidores. Claro, tudo isso com o intuído de justificar privatizações, arrocho salarial e retirada de direitos.

Neste sentido, no Correio Braziliense deste domingo tem um editorial questionando quem vai pagar a conta do “déficit”  na previdência dos servidores públicos. Obviamente, não há no texto publicado qualquer contraponto à visão rasa de que a aposentadoria dos servidores públicos é a responsável maior pelos problemas orçamentários do país.

Porém, foi o Estadão o jornal mais incisivo na declaração de guerra aos servidores públicos e seus direitos. O título da matéria deste domingo já demonstra a disposição da turma “pró-mercado”, da qual o jornal é porta voz, de eleger os servidores públicos com o alvo da vez. Diz a chamada da matéria:

Batalha contra privilégios: o Brasil terá de enfrentar corporativismo de servidores. (clique aqui e leia).

Ao longo do texto o Estadão promove comparações desrespeitosas aos servidores públicos, ataca o direito de greve sem levar em conta a garantia constitucional, descontextualiza dados e nem ao menos respeita o sagrado princípio do contraditório, ao dar espaço apenas a “especialistas” de um lado da questão.

A matéria do Estadão é exemplo, mas se o caro leitor observar, o discurso anti serviços públicos e seus servidores tem ganhado força, ainda mais depois das eleições municipais, quando o resultado demonstrou realmente crescimento de candidatos representantes das privatizações e do “enxugamento do Estado em prol do mercado”.

Outro fato preocupante é que, no exato momento em que escrevo este texto, mais ou menos 300 deputados se reúnem com o Presidente Michel Temer para jantar no Palácio do Alvorada e fechar questão na aprovação da PEC 241 que limita os gastos públicos por 20 anos. Com todo este rolo compressor, não tenhamos dúvidas, o Congresso vai jogar pesado contra os servidores e seus direitos tão duramente conquistados. É só questão de pouco tempo.

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Por: Washington Dourado 

blogdowd@gmail.com

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